whats (43) 9 9141.1750 (43) 9 9156.9145

ANÁLISE: COMO VENDER ZONEAMENTO SE TORNOU UM FILÃO EM LONDRINA

Marcelo Frazão

Londrina – Em agosto do ano passado, ao assistir mais uma sessão DAQUELAS da nossa Câmara de Vereadores, escrevi umas linhas sobre a aliança entre vereadores e empreendedores, consultores, empresários e o Conselho Municipal das Cidades (CMC) nas mudanças de zoneamento em Londrina.

O que me doía era o quanto isso nos destruía sem que conseguíssemos impedir.

Está aqui neste link.

Alterar zoneamentos, permitir o que não dá, avalizar indústrias perto de vizinhos, loteamentos onde eles não precisariam existir, comércios que causam barulho, poluição e movimentação excessiva perto de pessoas.  Na nossa cidade se pode praticamente tudo – desde que você tenha os “contatos” certos.

As práticas independem da gestão e da ideologia.

Desde o governo Nedson, passando por todos os governos municipais – dos “limpinhos” aos “sujinhos” – zoneamentos, aberturas de indústrias e de loteamentos são considerados como os “filés” da coisa pública.

E isso nunca parou.

Agora, o Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – de novo – revela que vereadores, funcionários da Prefeitura de Londrina, empresários e consultores privados ligados ao Conselho Municipal da Cidade (CMC) atuaram em um esquema de corrupção para mudar o zoneamento de áreas e transformá-las em loteamentos residenciais na cidade.

Sinceramente, não nutria mais esperança de que alguém olhasse seriamente para as históricas relações entre empresários de Londrina, CMC, Ippul, Secretaria de Obras, vereadores e os “projetos de desenvolvimento” que, em cada gestão, os prefeitos de Londrina sacam do bolso “para o bem da economia”.

Na minha mente, me toma aquela visão de nós moradores sendo pisoteados por empresas que forçam mudanças de zoneamento – como no caso da Adama, por exemplo – e na instalação de zoneamentos industriais onde eles não deveriam estar.

É assim com o caso da insistência de reduzir a zona de amortecimento da Mata dos Godoy, por exemplo, ou sobre o projeto de lei que, por pouco, não foi aprovado para permitir mecânicas, e funilarias junto com zonas residenciais.

A política local, os políticos e uma parte interessante dos empresários de Londrina são useiros em ridicularizar Ongs, movimentos de moradores e aquela sociedade que não é herdeira histórica dos pioneiros nem dona de negócios locais. Eles não fazem parte daqueles grupos da “sociedade civil organizada”.

Mas, enfim, nunca parece tarde.

O fato é que o Gaeco está aí, para reacender aquilo que movimentos como o Participa Londrina – de fiscalização sobre o Plano Diretor – sempre trouxeram à tona e, invariavelmente, eram ignorados.

11 pessoas são investigadas no esquema do Plano Diretor e devem receber tornozeleiras eletrônicas. A justiça negou o pedido de prisão para elas.

Os vereadores Rony Alves (PTB) e Mário Takahashi (PV) foram afastados e devem receber tornozeleiras eletrônicas após a Operação ZR-3 ter sido deflagrada para vasculhar a Câmara de Vereadores e residências na cidade.

Os dois foram afastados por 180 dias pela Justiça.

Entre 2013 e 2017, o Gaeco identificou que haveria recebimento de terrenos e valores de R$ 100 mil a R$ 1 milhão pelos “serviços” – que iam desde a agilização da votação na Câmara de Vereadores até os trâmites na Prefeitura de Londrina para a consolidação das áreas.

Há envolvimento de ex-integrantes da gestão Kireeff – como a ex-presidente do Ippul, Ignês Dequech, e o ex-secretário do ambiente Cleuber Moraes de Britto. Ignês, vale lembrar, foi implicada naquele rumoroso caso da liberação da construção da Havan, ali no centro de Londrina – o que também virou processo do Ministério Público à época.

Após deixarem os cargos na gestão, os dois passaram a atuar como consultores e membros do Conselho Municipal das Cidades (CMC). O lobista Luiz Guilherme Alho, igualmente ligado ao CMC, também está entre os investigados. Independente do governo de plantão, os três sempre tiveram trânsito garantido em discussões e aprovações de mudanças de zoneamento na Câmara.

Vale ressaltar que nem Kireeff nem Marcelo Belinati são investigados ou suspeitos de algo.

“Um grupo estruturado dentro da administração pública facilitava a mudança de zoneamentos mediante recebimento de vantagens indevidas”, afirmou o delegado Alan Flore, do Gaeco, em entrevista coletiva na manhã de hoje.

Veja a lista dos investigados: eles têm 24 horas para receberem as tornozeleiras eletrônicas.

  1. Rony Alves (PTB), vereador afastado
  2. Mário Takahashi (PV), presidente afastado da Câmara de Vereadores  
  3. Ossamu Kaminagakura, funcionário da Prefeitura
  4. Luiz Guilherme Alho, consultor, membro do CMC
  5. Evandir Duarte de Aquino, chefe de gabinete Rony Alves
  6. Brasil Filho Teodoro
  7. Cleuber Moraes Brito, ex-secretário, consultor, integrante do CMC
  8. José Castro Neto
  9. Ignes Dequech Álvares, ex-presidente do Ippul, integrante do CMC
  10. Homero Fronja
  11. Vander Mendes Ferreira

2 thoughts on “ANÁLISE: COMO VENDER ZONEAMENTO SE TORNOU UM FILÃO EM LONDRINA

  1. Vai Gaeco. Vai Tp1 !

  2. Vai gaeco. Gaeco neles.

Leave a Reply