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SOBRE COMO FAZER UMA FLORESTA E NOS ALIMENTARMOS DELA

por Christina Mattos

LONDRINA – Você já se emocionou com uma plantação agrícola? Eu sim!

Acompanhei por algumas horas o trabalho de implantação de uma nova área de agrofloresta.

Um mutirão com 60 pessoas para plantar uma floresta de comida. Debaixo de sol, trabalhando muito pesado e … felizes. Parecia que eu estava assistindo à construção de um pequeno mundo novo.

Era um curso.

Todos estava ali aprendendo como produzir alimentos sem degradar a terra. Ou melhor: a Terra.

É tudo diferente do que conhecemos como Agricultura. Derrubar mata, plantar uma só espécie em grandes espaços, fazer queimadas, usar veneno…

Nesse mundo dos agrofloresteiros? Não!!

Na Agricultura Sintrópica o homem trabalha a favor da natureza. Tenta imitar a floresta.

Hortaliças, arbustos, árvores crescendo junto.

Aproveitamento máximo de espaço e tempo. Plantas com ciclos, alturas diferentes. Colheitas sucessivas de alimentos, cada um a sua época.

Solo sempre coberto com matéria orgânica. Solo “gordo” como eles dizem. Podas regulares, rejuvenescendo as plantas e garantindo o alimento do solo. Galhos, folhas e palhadas distribuídos nos canteiros e no espaço entre eles também.

Juã Pereira foi o professor da turma.

Ele é dono do Sítio Semente, em Brasília, propriedade referência em Agricultura Sintrópica. Sem dúvida, Juã é um dos maiores especialistas do país na agricultura com floresta.

O curso foi organizado pela Terra Planta, empresa de produtos orgânicos que  aderiu ao cultivo agroflorestal há um ano. Parceira do Tp1.

Perguntei pro Juã quem era ele antes de sair pelo Brasil ensinando e convertendo pessoas para essa outra forma de Agricultura.

“Eu era um verme, um sugador, mais um número, um revoltado…”

Assista:

Fala apaixonada de alguém que encontrou um novo sentido pra vida, fazendo Agricultura que cria solo, cria água e cria ar.

Juã aprendeu o método com Ernest Gotsch , europeu que trocou o Nordeste da Suíça pelo Nordeste do Brasil.

Ernest comprou uma terra degradada no Sul da Bahia, nos anos 80, e transformou numa floresta que produz alimentos.

Hoje, quem achava que o coitado do gringo tinha sido passado pra trás e comprado terra improdutiva, se espanta.

Na área de 500 hectares – a maior parte convertida em reserva – ele produz inúmeros alimentos. O principal produto é o cacau, de qualidade excepcional, exportado a preço 4 vezes superior ao de mercado. O comprador é uma grande fábrica de chocolates na Itália.

O suíço defende que a Agrofloresta é a melhor saída para a Agricultura Familiar, em qualquer região do país. Mas não só.

Grandes empresários também estão buscando consultoria e fazendo parcerias com Ernest. Desenvolvendo equipamentos para facilitar o trabalho em grandes áreas. Já existem experiências de cultivo agroflorestal em larga escala. A Fazenda da Toca, em São Paulo, é uma delas.

Hoje, Ernest e Juã dividem o tempo entre a produção de alimentos e os cursos de Agrofloresta pelo país.

No curso aqui na região de Londrina, a turma era formada por produtores rurais, agrônomos, biólogos, paisagistas e até gente querendo ter uma mini agroflorestal no quintal.

Em comum, a consciência clara de que não podemos mais continuar apenas retirando o que precisamos da Natureza com métodos que destroem. Precisamos ser parceiros.

É um novo modo de viver e de produzir alimentos em abundância.

Eduardo Carriça era designer gráfico. Abandonou a profissão pra criar a  Terra Planta, junto com a mulher – a bióloga Gabriela Scolari. A empresa fica dentro da fazenda da família dela, em Sabáudia, meia hora de Londrina.

Em um ano, o casal implantou um mix de 200 espécies de plantas em uma área de 5 mil metros quadrados.

Árvores para madeira, árvores frutíferas e hortaliças. Eles contam que comparado ao plantio orgânico convencional, a produção pode chegar a ser 8 vezes maior.

Além disso, as despesas diminuíram. Adubação agora é natural. Resultado das podas que vão ao chão, da cobertura do solo e da variedade de espécies.

O casal vende os produtos em feiras orgânicas em Londrina e Arapongas. Agora, investiu em uma estrutura de sala de aula, refeitório e banheiros para realizar cursos de educação ambiental e cultivo agroflorestal.  Se quiser entrar em contato com eles é só clicar aqui.  

O Tp1 leva consumidores para conhecer a Terra Planta desde o ano passado. É incrível ver a transformação da área. E é esse o legado que a Gabi e o Edu querem deixar.

A estudante Virgínia de Souza, do Curso de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi a escolhida para um bolsa oferecida pela Terra Planta ao Tp1.

Ela é moçambicana e está fazendo intercâmbio. O coordenador no Núcleo de Agroecologia da universidade (NEAGRO), professor Maurício Ursi, foi quem indicou a Virgínia. Mérito pela dedicação ao estudos.

Ao Tp1, a jovem resumiu o que aprendeu sobre Agrofloresta em uma frase. “ É aprender a ressuscitar o solo”. Essa é a Virgínia na imagem abaixo, com a mão na massa.

E olha só a história da Sabine VB. Ela esteve na Terra Planta pela primeira vez com o Tp1. Foi ano passado. Havia acabado de se mudar pra Londrina e, logo viu, estava mudando de vida.

Voltei pra casa depois do curso.

Recolhi todas as folhas de Ipê que forravam a minha calçada. Cobri com elas toda a minha horta.

Agora estou pesquisando a combinação que vou fazer na minha mini-agrofloresta.

Como diz o Juã, cada um no seu pedaço, pode dar a contribuição para o sistema Planeta Terra.

***A linda foto da turma, em destaque neste post, é da fotógrafa Shirlei Moreira!! Obrigada!!!

Somos Londrina. Somos Todos por Um

2 thoughts on “SOBRE COMO FAZER UMA FLORESTA E NOS ALIMENTARMOS DELA

  1. Rafael Ninno Muniz

    Excelente!! Parabéns ao TP1 e à Terra Planta por realizar uma revolução na comunicação e na alimentação, em Londrina e região. Abraços e #somostodospor1

  2. Muito interessante. Tenho curiosidade em saber mais sobre esse assunto. Parabens pelas iniciativas todas da TP1.

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