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OS QUADRINHOS CRESCERAM!

OS QUADRINHOS CRESCERAM!

SÃO TRAJETÓRIAS DOLORIDAS, CRUAS, MUITAS VEZES CHOCANTES, NARRADAS SEM MEIAS PALAVRAS.

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por Ranulfo Pedreiro

Olá pessoal tudo certo?

Não sei se vocês já perceberam, mas os quadrinhos evoluíram.

Há muito deixaram de ser meros gibis e passaram a abranger assuntos importantes.

Por isso, ultimamente, andei lendo alguns quadrinhos – que agora são editados em formato de livros – e encontrei um que achei excelente.

Chama-se Habibi e foi  escrito/desenhado pelo americano Craig Thompson.

Para vocês conhecerem mais, fiz uma pequena resenha:

Em algum lugar da África islâmica o mar virou areia e a água desapareceu, deixando um barco cercado por um oceano de dunas.

Ali, no meio do nada, vivem Dodola e Habibi, duas almas regidas pelas interpretações do Corão em um universo de anjos, ritos, lendas e histórias que pertencem à origem da civilização.

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Nada disso, porém, parece tema para uma história em quadrinhos.

Isto é, caso a chamada arte sequencial ficasse reduzida ao universo infanto-juvenil que lhe rendeu tratamento de produção descartável – o gibi.

Mas os preconceitos já estão abandonando as HQs.

Elas ganharam o formato de livros luxuosos e há décadas estão focadas no universo adulto, seus dramas e suas crenças.

Trata-se de uma arte em si, com características próprias de escrita e linguagem gráfica.

Sim, as histórias em quadrinhos cresceram e foram saborosamente apropriadas pelos marmanjos.

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Lançada em bela edição pela Quadrinhos na Cia., Habibi é exemplo de como uma HQ pode chegar às profundezas do que nos faz humanos – sentimentos, incertezas, conhecimentos, histórias – de forma surpreendente.

Escrita e desenhada pelo americano Craig Thompson, Habibi tem proporções clássicas ao abraçar infinitas histórias em uma mesma narrativa, tendo como fonte o próprio Corão, a filosofia grega e a cabala.

Partindo de belos temas religiosos, Craig Thompson conta uma história em que, como o mar pode virar areia, os opostos se dialogam e se confrontam.

Assim, surge uma mãe capaz de amar mais o filho adotivo do que o legítimo; um jovem que repudia o sexo; um sultão corroído pelo tédio gerado pelo excesso de riquezas e prazeres.

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São trajetórias doloridas, cruas, muitas vezes chocantes, narradas sem meias palavras em passagens trágicas.

Mas também repletas de humanidade e sabedoria.

Habibi é, portanto, uma obra grandiosa e, como tal, às vezes esbarra na própria pretensão ao desenrolar mistérios universais dentro de uma narrativa carregada de desejo – um desejo mutilado, seco e cruel como o deserto a traçar o caminho rude e acidentado de duas pessoas que buscam apenas um lar.

***

Craig Thompson é também o autor de Retalhos, outra HQ que se tornou referência por investigar os sentimentos contraditórios da adolescência.

Habibi saiu originalmente em 2011, e está desde 2012 no catálogo da Quadrinhos na Cia, selo da Companhia das Letras.

Presta atenção: o livro é indicado para maiores de 18 anos, tem 672 páginas e um preço médio de R$ 65.

Somos Londrina. Somos Todos por Um.

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