ESTE ARCO-ÍRIS SOBRE LONDRINA PODE TE FAZER RESPIRAR MELHOR NO CAOS

por Marcelo Frazão
Londrina – Nem Temer, nem TSE, nem Lula, nem Lava-Jato ou UEL.
Imagino que a melhor notícia do dia na sua timeline seja algo para você, que acompanha o Tp1, enxergar possibilidade.
Respire alguns instantes um pouco desse arco-íris que estampou o Lago Igapó na manhã gelada desta segunda-feira (12).
Sim, é preciso falar do arco-íris antes que você afunde o seu mindset nas piores notícias do dia, da semana, do ano, dos últimos anos, como temos modulado, no nosso cérebro – na psiqué coletiva – a construir.
Antes da desesperança, perceba o que temos. Infelizmente, nos acostumamos, diante da rudeza do mundo, a alimentar impossibilidades.
Mas o arco-íris serve para nos lembrar da possibilidade, do outro lado. Do que precisamos fazer no lugar de apenas assistirmos o que está sendo desfeito diante dos nossos olhos.
A foto do texto é do Gelson Moreira de Souza, instrutor de canoagem do Iate Clube de Londrina.
Perto das 7h da manhã, Gelson é um dos seres-vivos que me cercam e escolheu não lembrar o que erguemos de pior.
Fez a imagem e nos presenteou na timeline no facebook: “Muito bom chegar no trabalho e encontrar esta bela paisagem”. O arco-íris, inclusive, foi duplo durante alguns instantes.

Cheogu a ser duplo, por instantes. Foto: Gelson Moreira Souza

 
Conectado com Gelson, o arquiteto Renato Alves não se conteve.
Capturou a sequencia de fotos do instrutor e fez uma montagem mostrando como foi o evento inteiro, se víssemos de longe.
“No dia anterior, comentava com uns amigos sobre os mecanismos de formação das cores do céu, difração, altura das nuvens, ângulos em que ficamos em relação ao sol e os nossos visuais de céus avermelhados. Tenho uma quadricromia que me faz enxergar verde no poente nessas épocas. Hoje de manhã saí para dar uma olhada e pimba! Estava lá esse arco-íris matinal raro”, descreveu o arquiteto. “Uma maravilha”.
Para uns, e admiração. Outros, sorte e sensação de pote de ouro.
Para quem gosta de micrometeorologia, tudo junto e ainda uma co-incidência ideal entre temperaturas baixas, umidade e alguma refração solar para formatar o sistema de cores do arco-íris.
“São condições específicas de umidade e temperatura. Ocorre geralmente no fim das tardes ou depois das chuvas, como é o clássico. Mas pode existir sempre que estiverem reunidas essas condições ideais”, diz Heverly Morais, agrometeorologista do Iapar, ao Tp1.
Nas aulas no curso de mestrado no Iapar, Heverly conta que sempre solicita aos estudantes descreverem o efeito como uma espécie de “iniciação” na observação de fenômenos climáticos. “Lindo, curioso e explicável”, sente a agrometeorologista.
Heverly nos enviou a seguinte explicação sobre o efeito.
No detalhe: como se forma o arco-íris?
O arco-íris é um fenômeno óptico que se forma em razão da separação das cores da luz solar. Ele pode ser observado sempre que existirem gotículas de água suspensas na atmosfera e a luz solar estiver brilhando acima do observador em baixa altitude ou ângulo. Por isso, pode acontecer durante ou após uma chuva. Ocorre, essencialmente, em razão da dispersão da luz.
Dispersão é o fenômeno que causa a separação de uma onda em vários componentes espectrais.
A luz do sol é uma onda de luz branca formada por várias cores. Quando essa luz incide sobre uma gota de água, os raios luminosos penetram nela e são refratados – sofrendo, assim, a dispersão.
O feixe de luz colorido, dentro da gota, é refletido sobre a superfície interna dela mesma e sofre novo processo de refratação – motivo que provoca a separação das cores que um observador consegue ver.
Como essa dispersão ocorre com todas as gotas de água na superfície recebendo a luz do Sol, visualizamos o conjunto como um arco-íris.
Pronto. Agora, no lugar de apenas voltar para o caos da impossibilidade que cultivamos, vislumbre “construir” algo a partir da sua visão.
Menos Temer, menos Brasília. Mais Brasil, mais Londrina, mais poder de morador, mais possibilidade do que impossibilidades.
Mais dias com arco-íris criados por nós!
Somos Londrina. Somos Todos por Um

TUDO O QUE VOCÊ GOSTARIA DE DIZER AO GOVERNADOR – MAS O REITOR EM EXERCÍCIO DA UEL DISSE PRIMEIRO

por Marcelo Frazão
Londrina – O que vou falar pode parecer chapa-branca, mas a meu favor tenho o fato de que nunca entrevistei, conversei ou estive com o reitor em exercício da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ludovico Carnasciali dos Santos. Não o conheço. É ele na foto .
À rádio CBN Londrina, Ludovico concedeu uma das mais contundentes entrevistas que já ouvi de gestores públicos que, em tese, estão “subordinados” à estrutura dos governos centrais.
Na ausência de Berenice, Ludovico é o reitor super-sincero.
A atual reitora também tem dado lá suas cotoveladas no governador em público, mas o troféu sapatada fica, de fato, com o vice Ludovico.  
Com governos, judiciários, legislativos em xeque, por diversos motivos – principalmente corrupção e escassez econômica – é legítimo decidir localmente o que pode ser melhor para determinados ambientes e serviços públicos funcionarem.
No meio dessa crise toda, me questiono como prescindirmos de um sistema que decide tanto assim por nós em Curitiba e Brasília.
Em se tratando de gestão de recursos, quanto mais perto do gasto estamos, melhor.
Melhor de fiscalizar. De cobrar. Melhor de denunciar e acompanhar.
Vamos lá: você, aqui de Londrina, consegue interferir, por exemplo, em como gastam o seu dinheiro em um Tribunal de Justiça em Curitiba ou em uma Assembleia Legislativa? E no Congresso? E lá no Superior Tribunal de Justiça?  
Uns 10 anos atrás estive no Tribunal de Justiça na capital. Fiquei estarrecido ao saber que temos garçons para servir água e bebidas nos gabinetes.
A cena: um corredor extenso com tapete vermelho e um garçom a equilibrar sua bandeja com taças. Não imagino que isso tenha acabado. É assim que se promove Justiça no nosso país.
Dia desses, leio que o mesmo TJ decidiu comprar toneladas de frutas frescas para os desembargadores e juízes do prédio. Questionado, o presidente da corte mandou dizer que não ia responder nada sobre isso.
Praticamente mandou uma banana para mim e para você que lê esse texto.
Qual é a chance de você, mero pagador, intervir nisso?  
Ouvi na entrevista do reitor em exercício da UEL um recado contundente para que os governos não atrapalhem o que anda, ainda que mal (e por culpa do próprio governo).

Crise é eterna. A novidade é que,agora, os gestores aprenderam a reagir contra o governador. Foto: COM/UEL

Não só as universidades, mas todas as nossas cidades deveriam dispor de outros níveis de decisão legislativa, judicial e executiva locais.
Ser espezinhado e depender de quem nos açoita não tem sido, nem de longe, produtivo para os moradores comuns das cidades brasileiras.
E, fora a denúncia gravíssima da tentativa de colocar reitores das universidades de joelhos e pires na mão, tais atos são encetados por governos suspeitos, sabidamente envolvidos no que há de pior.
O governador Beto Richa não pode pedir contas A MAIS de quem já as presta.
Como você se sente sendo cobrado por quem manteve-se lado a lado com os principais presos da quadrilha da Operação Publicano?
As indicações de chefes regionais da Receita Estadual – como o ex-copiloto de corridas de Beto Richa em Londrina, Márcio Albuquerque – em cargos de comando para extorquir, cobrar propina e favores desautorizam, ad eternum, qualquer dedo em riste e olhar mais bravio do governador. Um golpe que passa de R$ 1 bilhão na Receita do Paraná.
Sucederam-se os chefes, os amigos e as quadrilhas a fraudar Londrina – sem contar os demais núcleos da Receita Estadual do Paraná nas outras cidades, conforme os depoimentos do delator-mor, o auditor Luiz Antonio de Souza.
O delator, até o momento, é o ÚNICO formalmente demitido do órgão, enquanto amigos continuam flanando em altos salários simultaneamente a uma enxurrada de ações civis e criminais do Gaeco de Londrina, que não cessam.
A outra parte da apuração, contra o governador, dorme no Superior Tribunal de Justiça (STJ) – junto com mais outros três ou quatro inquéritos de investigação contra Richa.
É essa gente que decide por nós.
Se somos donos dos recursos dos impostos – e mais ainda dos recursos arrecadados pela própria UEL – não há sentido em abrir mão de geri-los.
Para quem acompanha o Tp1, transcrevi, editando, a entrevista do reitor em exercício, Ludovico Carnasciali à repórter Claudia Lima, da CBN Londrina, sobre o bloqueio de R$ 6 milhões, pelo governo do Paraná.
As verbas foram arrecadadas pela UEL.
Segundo o reitor, as atividades internas bancadas com estes recursos serão simplesmente interrompidas.
A lista conhecida até agora: pagamento de motoristas, manutenção do Restaurante Universitário, creches do Hospital Universitário e do campus, bolsas para indígenas, combustível para veículos de pesquisas e projetos de extensão nos bairros e na região de ação da universidade.
 
Ludovico, de costas, com os diretores de centro: reação na veia. Foto: COM/UEL

Leia os principais trechos do que disse o reitor:
O QUE VAI PARAR
“O bloqueio de R$ 6 milhões é claramente uma retaliação por não termos aderido ao programa de computação do META 4. Sem o dinheiro, o Restaurante Universitário pára porque não trabalhamos com estoque. O que não pode ser comprado, falta. Não sei se fechamos em uma semana, 10 dias, 15 dias. Ainda não sabemos. Estamos calculando. As creches do Hospital Universitário e do campus também param. Aulas práticas de campo que dependem de gasolina, diárias e alimentação para motoristas também param porque os carros nem teriam mais como sair.”
ORIGEM DOS RECURSOS BLOQUEADOS
“São recursos da própria UEL. Não é do governo. É dinheiro de serviços que prestamos (como no Hospital Veterinário, por exemplo) e da arrecadação do vestibular.”
AUTONOMIA x CONTROLE POLÍTICO
“Entrar no META 4 não é problema. Nosso sistema interno (de controle e de informática) é muito superior ao META 4. As universidades como a Unespar e Uenp, que estão no META 4, sequer sabem o número de doutores dentro da universidade. Nem quantos estão qualificando. Tudo tem que perguntar para Curitiba. O META 4 é isso: possibilita controle político da folha de pagamento.”
 “O problema é que, no final desse processo, o que se quer é o controle político da universidade. Querem que as decisões sejam tomadas pela cúpula do governo lá em Curitiba. Para que os reitores tenham que ir até lá, de pires na mão, para conseguir dinheiro para oito ou 10 doutores que acabaram de se formar, para dar 30 horas a mais no HU, é para isso. Autonomia é isso. Perdemos a autonomia de gestão da folha de pagamento e o governo quer dar a impressão que a gente faz o que quer. A folha de pagamento é uma lei: não podemos gastar um centavo a mais. O objetivo final disso é o controle político.Aliás, um desejo de todos os governadores. Em 1992 houve algo exatamente igual a isso mas na época o Tribunal de Contas disse que a universidade tinha autonomia e isso não podia ser feito”.
“A UEL é a 4ª melhor estadual do Brasil, atrás apenas de Usp, Unesp e Unicamp – as três gigantes. Estamos em 4º. Entre todas as universidades do Brasil, a UEL está em 19º. Isso foi conquistado por conta da nossa autonomia: podemos dar progressões e promoções conforme ditado por lei e ter controle da folha de pagamento”.
TRANSPARÊNCIA NA UEL X META 4
“O governador fala que não temos transparência, que somos uma caixa preta. É bem estranho porque no próprio site da transparência do governo do Paraná, você pode selecionar a UEL e aparecem todos os salários. Está no site do governo do Paraná! No site da UEL também tem: www.uel.br/transparencia. É tudo controlado. Mensalmente temos o ReMi, Relatório Mensal de Informação de Pessoal, enviado para o Governo do Estado todos os meses. Ali tem todo o gasto com folha de pagamento: desde uma hora extra até o salário da reitora. Está lá. E ainda tem o SIAI, que vai para o Tribunal de Contas. Controle o Estado já tem de sobra. O que quer é o controle político”.
E você? O que tem a dizer sobre esse “grito de independência” do reitor da UEL?
Somos Londrina. Somos Todos por Um

BETO RICHA CORTA R$ 6 MILHÕES DA UEL. E AGORA?

por Marcelo Frazão

Londrina – Lembram-se daquela reunião histórica do dia 11 de março, liderada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL)?

O assunto está detalhado neste post aqui:

http://tp1.com.br/index.php/2017/05/12/com-a-uel-a-frente-universidades-divulgam-a-carta-de-londrina/

Foi quando todas as universidades públicas estaduais se insurgiram contra o governo do Paraná, que deseja “enquadrar” todo mundo no sistema da META 4 .

Além de sérias restrições orçamentárias e falta total de investimentos, UEL, UEM, UEPG, Unespar, Unioeste, Unicentro e Unespar reagiram à integração ao sistema de gerenciamento de folha de pagamento – hoje realizada pelas estaduais em softwares próprios, habilitados pela Secretaria de Fazenda do Paraná.

As medidas ferem de morte a autonomia gerencial das universidades, denunciam os próprios reitores das instituições.

Pois agora veio a resposta do governador Beto Richa.

Segundo comunicado da UEL, o governo bloqueou R$ 6,058 milhões do orçamento impedindo o uso de recursos arrecadados pela própria instituição. O comunicado da UEL é de que o dinheiro foi “congelado” na noite de terça-feira (30), perto das 18 horas.

Em uma reunião de emergência convocada pelo reitor em exercício, Ludoviko Carnasciali dos Santos, os diretores dos nove Centros de Estudos foram informados sobre a retaliação do governo.

A UEL aponta que a medida afeta atividades de forma direta, no ensino, pesquisa e extensão:

  • Estão suspensos o pagamento de bolsas aos estudantes indígenas

  • Impossibilidade de compra de materiais de limpeza e insumos utilizados em laboratórios de pesquisas

  • Impedimento de gastos com manutenção de equipamentos

 De forma geral, indica a UEL, “a decisão do governo estadual prejudica o andamento de projetos e programas desenvolvidos por alunos e professores dos cursos de graduação”.

Em nota oficial, o reitor em exercício da UEL considerou que “o bloqueio destes recursos afeta o andamento de todas as nossas atividades acadêmicas”

O assunto também foi levado ao Conselho de Administração (CA) e a Conselho Universitário, instância máxima da UEL, que deve debater o tema na sexta-feira.

A UEL promete entrar novamente na Justiça – já questiona a META 4 no TJ – e ainda solicitar uma audiência com o governador. Além da UEL, também a UEM e Unioeste tiveram dinheiro bloqueados pelo governo.

COM A UEL À FRENTE, UNIVERSIDADES DIVULGAM A CARTA DE LONDRINA

por Marcelo Frazão

Londrina – Após a histórica reunião entre todas as universidades estaduais do Paraná, liderada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), na 5a feira (11), os participantes divulgaram a CARTA DE LONDRINA.
Foi a primeira vez que todos os segmentos das universidades – reitores, conselheiros, professores, técnicos, funcionários e alunos – se uniram para contrapor decisões do governador Beto Richa.
O ato foi organizado pela Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público (Apiesp), que representa os reitores das estaduais.
Com um perfil considerado mais “chapa-branca”, a Apiesp geralmente é alvo de alunos e funcionários das universidades em razão da proximidade com o governo. Desta vez, entretanto, todos estavam na mesma “trincheira”.
Além de enfrentar sérias restrições orçamentárias e falta total de investimentos, as sete universidades reagiram também à integração das instituições ao sistema de gerenciamento de folha de pagamento – hoje realizada pelas estaduais em softwares próprios, habilitados pela Secretaria de Fazenda do Paraná.
A tentativa do governo de controlar o TIDE, regime de trabalho em que o docente recebe mais para ficar integralmente dentro da instituição, também preocupa o setor.
As medidas do governador são qualificadas pelo movimento de reitores, professores, alunos e funcionários como contrárias à autonomia gerencial das universidades.

Assinam o documento a UEL, UEM, UEPG, Unespar, Unioeste, Unicentro e Unespar.

 

CARTA DE LONDRINA

As Comunidades Acadêmicas das sete Universidades Estaduais do Paraná, representadas pelos Conselheiros integrantes dos Conselhos Universitários de todas as Instituições Estaduais de Ensino Superior (IEES) do Paraná, integrantes do Comitê Estadual em Defesa do Ensino Superior Público do Paraná e demais integrantes do corpo docente, de agentes universitários e de estudantes das nossas Instituições, reunidos na Universidade Estadual de Londrina, em 11 de maio de 2017, apresentam sua manifestação em relação ao contexto de constantes ataques sofridos por atos de gestão do Governo do Estado, consubstanciados em Decretos, Resoluções e atas de reuniões, atos esses sem validade legal – na medida em que contrariam o princípio constitucional da Autonomia Universitária prevista nos artigos 207 da Constituição Federal e 180 da Constituição Estadual.

Lamentam, as comunidades acadêmicas das Universidades, que este ataque por atos normativos venha acompanhado de um discurso estruturado de contrapropaganda que objetiva convencer as demais estruturas de governo e a própria sociedade de que nossas Universidades representam um peso ao orçamento do Estado e que nelas falta transparência na gestão.

Pior ainda é esse discurso ser assumido por outros órgãos de Estado, como o Tribunal de Contas, que também em seus discursos e práticas têm exigido o cumprimento de atos inconstitucionais e submetido os gestores das Universidades a condenações com o objetivo de intimidar a prática de atos amparados pelas disposições das Constituições.

 

O auditório Cyro Grossi, na UEL, lotado durante a reunião inédita entre todos os segmentos de todas as estaduais. Foto: COM/UEL

Reafirmam que o sistema de ensino superior do Estado é um PATRIMÔNIO DO POVO DO PARANÁ que não pode ser destruído por discursos e práticas que ataquem as bases de um sistema solidamente construído, ignorando todos os resultados apresentados por nossas instituições ao longo do tempo, inclusive os resultados econômicos e a geração de riquezas que resultam em receitas ao tesouro do Estado.

Para restringir a apenas dois aspectos mais recentes desse ataque, um do Governo e outro do TC, cumpre-nos destacar a ação que objetiva descaracterizar o TIDE docente como Regime de Trabalho e firmá-lo como gratificação de caráter transitório.

Tal medida, assentada na interpretação forçada da lei, pode ferir de morte a estrutura desse sólido sistema de Educação, Ciência e Tecnologia, conduzindo à precarização do trabalho com regimes parciais de atuação docente, transformando as Universidades em instituições unicamente de ensino, sem possibilidades do desenvolvimento da pesquisa, da extensão e da inovação.

Outra iniciativa, oriunda do Governo e apoiada pelo TC, é a inclusão das universidades no sistema RH Paraná META 4, sob a falácia de que falta transparência em nossas Instituições.

O referido sistema objetiva implantar práticas de controle que desrespeitam a autonomia administrativa, financeira e de gestão definida pelas constituições federal e estadual. A transparência que se reclama está assegurada pelo repasse mensal de todas as informações de pessoal que é feito pelas Universidades diretamente à Secretaria de Administração em formato definido pela própria secretaria.

Além disso, os portais da transparência de nossas Instituições deixam claro os pagamentos realizados a cada um dos servidores; e temos sistemas de gestão de pessoal em nossas Universidades que são nucleadores de um conjunto de sistemas de gestão que superam em muito a qualidade do META 4.

Se falta transparência é sobre como e quanto o Estado paga por este sistema de folha de pagamento que pertence a uma empresa espanhola e quanto teve que investir para poder incorporar os servidores das universidades.

Neste sentido, a comunidade acadêmica do Estado do Paraná, composta por mais de 100 mil pessoas, reage a este estado de coisas reafirmando a defesa inconteste do princípio constitucional da autonomia universitária e, como tal, dentre outras ações, não aceitará a adoção do META 4 em nome da falácia da falta de transparência, nem outras medidas de ataque ao patrimônio material e moral que representam nossas instituições exigindo a tomada de providências para que a UENP e a UNESPAR sejam retiradas do sistema META 4 e possam assumir a plena gestão institucional, sujeitas à fiscalização do Estado nos termos da lei.
Da mesma forma, reafirmamos a defesa do teor do Ofício 68/2017-APIESP que, com vasta argumentação técnica e jurídica, requer a revogação imediata do Ofício CEE/CC 310/2017, bem como da deliberação 01/2017-CPS, na medida em que se entende que o encaminhamento dos dossiês solicitados pela deliberação supra referida viabiliza a implantação do META 4, que fere a autonomia Universitária.

Londrina, 11 de maio de 2017.
Somos Londrina. Somos Todos por Um

COMO ENTREI NA CARNE FRACA AO MORDER UM SANDUÍCHE DO SUBWAY EM LONDRINA

por Marcelo Frazão

Qual dessas afirmações faz mais sentido para você?

1 – Passei a semana em dúvida: afinal, o papelão que comi tinha vitamina C ou ácido sórbico ?

2 – Fiquei desconfiado das intenções da Polícia Federal na Operação Carne Fraca.

3 – Acredito que os problemas no meu bife “até existem”, mas são pontuais e devem ser resolvidos sem histrionismos pela PF.

4 – Lixe-se o mundo: o meu, quero é mal passado mesmo.

Primeiro: a Operação Carne Fraca é sobre corrupção. Não foi, propriamente, uma devassa em busca de fraudes sanitárias contra o consumidor.

Longe das fraudes não existirem: segundo o auditor fiscal e denunciante que originou a Carne Fraca, Daniel Gouveia Teixeira, as adulterações no setor alimentício são altamente elaboradas.

Em Londrina, na sexta-feira (24), o fiscal Daniel contou que as maiores empresas do ramo investem alto para fraudar de maneira elaborada.

Usam, por exemplo, formulações químicas específicas, descobertas por pesquisadores de alto nível – doutores – para produtos, como o leite, serem adulterados sem a população perceber a degradação da qualidade com a fraude.

Ninguém vai passar mal de imediato: o risco é a acumulação ao longo do tempo.

Para provar que o conteúdo da salsicha (!) comprada pela Secretaria de Educação “não foi o combinado” – e pago – no contrato com o governo do Paraná, a Polícia Federal fez exames de DNA.

Vamos lá: algo bem longe de enfiar papelão no meio da carne. Efetivamente, só um erro de interpretação de um diálogo capturado em escuta pela PF. No bolo do que existe, nem faz diferença.

Você vai entender o porquê.

Gostaria que acessasse os documentos na íntegra da Operação Carne Fraca.

Por dois motivos: porque isso envolve Londrina diretamente.

E para que você tire conclusões “sem se preocupar” com o Jornal Nacional e a publicidade da JBS e BRF entremeada no horário nobre.

Livre-se do dissabor de se contorcer diante dos apresentadores que quase pediram desculpas para as empresas.

Leia na íntegra. Confira no original. Vem na fonte com o Tp1.

Não precisa ser enganado por notícias que isolam fatos e abonam tudo ante “providências sérias, técnicas e enérgicas” do ministro da Agricultura e do presidente.

Com a íntegra dos documentos, você passa a se preocupar não apenas com o seu bife. Perceba a existência, dentro do Ministério da Agricultura, de uma aliança permanente entre empresas, cargos de confiança distribuídos a partidos, fiscais corruptos e eles – os próprios políticos.

Aproveite e ouça o melhor depoimento dado pelo fiscal que originou a Carne Fraca. Foi colhido pela jornalista Patrícia Zanin, da rádio UEL FM (107,9 MHZ).

Ouça aqui:


 

O churrasco que você come pode até não ter papelão no meio.

Só não se deixe levar por aspectos pinçados que jogam na irrelevância o contexto REAL do que está ocorrendo.

De novo: não é AINDA só sobre a qualidade do seu bife.

Na prática, a “Lava-Carne” desbaratou no Paraná dois ou três núcleos de quadrilhas formadas por fiscais federais do Ministério da Agricultura muito bem protegidos por políticos e pagos pelas empresas.

Os fiscais atuavam firmemente para obter dinheiro e favores do setor. Da Big Frango à BRF e JBS, todas no balaio. Dos fiscais flagrados, seis são de Londrina.

Curitiba e Londrina eram importantes no “sistema”.

Dejá vú:

Exatamente como foi descoberto Operação Publicanos. Fiscais e chefes da Receita Estadual, indicados pelo governo, pegando dinheiro de empresas para luxos próprios e para bancar as campanhas políticas dos níveis “de cima”.

 “AJUDEI” NO ESQUEMA

Nas íntegras do relatório da Polícia Federal e da decisão da Justiça de Curitiba, você, se dará conta de que, como eu, pode ter ajudado a lavar dinheiro do esquema flagrado na Operação.

Desde o ano passado, estive diversas vezes no Subway da Avenida Madre Leônia, no alto da Gleba Palhano.

Ia nesta loja justamente porque nunca havia ninguém – e as demais eram sempre demoradas e cheias de filas intermináveis.

Com o sanduíche quentinho e rápido na mão, sempre que entrava naquele Subway me vinha a sensação de que, com tão pouca gente, aquilo não tinha como dar lucro. “Não vão aguentar. Vai falir”.

Sem muita gente frequentando, normal que um dia chegasse ali e… fechado!

O que desconhecia é que o negócio não precisava dar lucro vendendo sanduíche. Lucratividade se arranja de outro jeito.

Em um dos pontos comerciais mais caros de Londrina, eis a franquia do Subway pertencente a familiares do fiscal agropecuário Juarez Santana, chefe da Unidade Técnica Regional de Agricultura de Londrina (UTRA/Londrina).

A UTRA é nada menos que a “base” do Ministério da Agricultura aqui na cidade e na região.

Tanto no relatório da Polícia Federal quanto nas decisões judiciais, Juarez e outros fiscais de Londrina aparecem em situações suspeitas ou flagrantemente criminosas.

Dá vergonha. Foram presos.

Este ano não estarão perambulando, risonhos festivos e fotogênicos, pela ExpoLondrina.

As gravações telefônicas, quebras de sigilo bancário e monitoramento dos suspeitos mostram como a organização se articulava para as “tarefas” nos frigoríficos, locais de abate, processamento e armazenagem de carnes e seus subprodutos.

Juarez, chefe do órgão, aparece negociando até mesmo a defesa de empresas flagradas em irregularidades notificadas pelos próprios fiscais do órgão. Dá para entender que ele mesmo escrevia os argumentos para as notificações não se tornarem multas contra as empresas.

O Subway da Avenida Madre Leônia (poxa!) era local de encontro de Juarez para “conversas” com proprietários e gerentes de frigoríficos.

Aparentemente, a loja – assim como outra na Avenida Bandeirantes – eram mantidas em nome de familiares que desconheciam por completo a rotina do negócio.

Com o Subway sempre meio vazio como testemunhei, o que entrava no caixa não era, exatamente, grana vinda do sucesso de vendas do peito de peru com rúcula que eu curtia.

E você?  Como se sente sentando no estabelecimento de um morador da sua cidade, que habita no bairro do lado, e tem o negócio voltado para lavar dinheiro ilícito?

BRASILIANO, PRESO

Note nos documentos a presença de um personagem “famoso”, mas de bastidor, da política londrinense. Entre os presos, o fotógrafo Roberto Brasiliano, ex-assessor e carne da unha do falecido deputado federal e dono do Partido Progressista (PP), José Janene.

Mesmo com a morte de Janene, Brasiliano, ao que parece, nunca parou de operar. Conforme relatório da PF, fazia parte do grupo de Juarez Santana, chefe do órgão federal local.

Brasiliano nunca foi funcionário federal do Ministério. Atuava como uma espécie de “leva-e-traz” de um grupo de fiscais de Londrina. O ex-assessor parlamentar, segundo as mensagens interceptadas pela PF, era encarregado de pegar o dinheiro de frigoríficos que haviam negociado com Juarez. Para a PF, um “cobrador” do esquema.

Para compreender toda a trama, aplique o tempo que você usa assistindo aos jornais na tevê entremeados com a propaganda da JBS e BRF – com o apresentador virando do avesso para dizer que “não é bem assim” – e leia tudo na íntegra.

O relatório da PF à Justiça Federal basta. Tem 342 páginas.

Relatório da PF à JF.

Se quiser aprofundar-se, a decisão do juiz federal está em duas partes.

A primeira, com 363 páginas.  DECISÃO-PARTE-1

A segunda, as 60 páginas finais.  DECISÃO-PARTE-2.pdf

Somos Londrina. Somos Todos por Um.

A CARTA DE LONDRINA AO STF COM UM PEDIDO DE JUSTIÇA

por Marcelo Frazão

Londrina – Não sei se você conhece alguém que já tenha feito isso, mas queria te apresentar a Laila Menechino.

A Laila é a londrinense que, um ano atrás, mandou uma carta à mão suplicando para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Levandowski liberasse o julgamento do acusado de matar a mãe dela, a professora Estela Pacheco.

O crime foi em 14 de outubro de 2000.

Neste dia, não conhecia a Laila ainda. Na época, saía da UEL ouvindo um radinho de pilha ligado na CBN. Estava dentro do ônibus quando fiquei sabendo do crime.

Aluno de jornalismo curioso, desci na Avenida Higienópolis e fui até a rua Paranaguá, ao Edifício Diplomata. Ali, uma pequena multidão ainda se aglomerava na frente do prédio onde um corpo acabara de ser recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML).

Era a mãe da Laila. Alguns anos depois, essa figura da foto se tornaria uma das principais e queridas amizades que tenho aqui em Londrina.

Laila Menechino com a foto da mãe: um crime contra todos nós

O que ocorreu no apartamento no 12º andar para que o pecuarista Mauro Janene arremessasse a professora Estela da janela?

Provavelmente tentou, de forma sinistra, simular um suicídio depois de tê-la matado dentro do apartamento.

A queda mascarou a causa da morte, que deu como inconclusiva.

Não foi descartado que Estela tenha sido asfixiada mecanicamente. Na época, um dos jornais da cidade registrou a entrevista na qual o perito apontava a marca de uma agressão no rosto da mãe da Laila.

Os Janene, como sempre, contrataram em Londrina o escritório de advocacia com maior perícia em protelar casos. Defendem que apenas trabalham com o exercício justo das leis existentes.

A advogada de Londrina defensora do acusado é a mesma entrevistada no Fantástico que contou como lutou para devolver o filho a uma mãe que o havia perdido em um esquema – envolvendo um juiz de Londrina – para furar a fila de adoções de crianças na cidade. Ela atua voluntariamente no caso da mãe.

Triste coincidência.

Na época da morte de Estela, lendo as notícias dos jornais disponíveis no site da família sobre o episódio  – www.justicaparaestela.com.br – fica bastante evidente que os delegados e o juiz (que morreu) agiram de maneira bastante estranha.

Até que o réu desaparecesse para nunca mais ser visto, graças ao que as autoridades deixaram de fazer para que fosse preso. Na época, ficou cinco dias preso. Solto, desapareceu.

Com dúzias de chincanas jurídicas, nos últimos 17 anos o julgamento do acusado foi adiado por seis vezes.

A última, em dezembro de 2014.

Quando este Juri foi cancelado, tudo paralisou-se para esperar a decisão de um recurso da defesa no Supremo Tribunal Federal.

Na Côrte distante, dominada pelos mensalões e Lava-Jato da vida, parecia uma impossibilidade uma decisão rápida sobre o habeas-corpus que bloqueara o Tribunal do Juri em Londrina.

A punição para o assassinato prescreve em 2022. A família, no entanto, nunca admitiu isso.

Jornalista e advogada, a Laila decidiu escrever uma carta à mão em que suplicava ao ministro Levandowski a análise do recurso capaz de destravar o processo criminal.

Foi no dia 8 de março de 2016. Mas foi ontem.

Ninguém exatamente sabe se o ministro leu a carta e como isso impactou a Côrte na capital federal.

Mas o fato é que uma semana depois o recurso foi negado e o julgamento remarcado.

Agora, será na semana que vem, 16 de março, no Tribunal do Juri de Londrina.

Com o passar dos anos e com tanta demora, a Laila vez ou outra titubeia. Aos amigos, pergunta, incomodada, se a nossa cidade quer mesmo ver esse crime resolvido.

Tudo joga tão contra que ela parece perguntar à sociedade se a luta da família não nos incomoda demais.

Natural que depois de tanto tempo esmurrando o poder econômico, político e judiciário a família seja empurrada a se questionar o quanto tudo isso vale. “Não vai trazer minha mãe de volta”, costuma pensar a Laila, em tom de revolta.

Agora com o filho Caetano no colo, a Laila precisa da ajuda de Londrina para continuar tendo energia.

Laila, a sua luta é nossa.

Não apenas porque exigir Justiça para a morte da própria mãe é digno e tão necessário.  Sobretudo no momento em que vivemos.

Mas também por Estela ser uma mulher como tantas outras que podem, neste instante, estar no meio de um relacionamento abusivo – sem que os amigos ou quem esteja em volta se pronuncie.

O réu Mauro Janene precisa ser julgado – e condenado – pois há indícios e provas suficientes. O crime contra Estela é um crime contra a Laila e a família dela, contra mim, contra você, contra Londrina e contra todas as mulheres que merecem dignidade, respeito e valor no lugar de dor e humilhação.

Na sequência , a carta manuscrita corajosa que Laila enviou ao ministro do STF – e deveria ser assinada por todos nós, todos os dias.

Uma carta para ser lida por todos os integrantes do poder judiciário, polícias e promotores brasileiros que não se importam com o combate à impunidade. E uma carta que faz jus a todos aqueles que se importam.

A carta de uma londrinense ao ministro do STF

 * Em memória de Cleonice Fátima Rosa, assassinada por Vanda Pepiliasco; de Fernanda Estruzani, morta por Marcos Panissa, da estudante Amanda Rossi (sem mandante definido), e tantas outras mulheres e homens assassinados e jamais sepultados em razão da ineficiência da nossa Justiça.

Assine a petição Justiça para Estela

http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR80154

Visite o site com todas as informações do caso: www.justicaparaestela.com.br .

Estamos com vocês, Laila e Estela!

Somos Londrina. Somos Todos por Um