PRESTE ATENÇÃO AQUI: BRASÍLIA JÁ ERA. BOLSONARO E LULA NÃO VÃO TE SALVAR

por Marcelo Frazão

Londrina – Existem algumas maneiras de reconstruir (ou destruir de vez) um país.

Tocar fogo em tudo, apostar em diretas já (mesmo que a menos de um ano do fim do mandato), esperar que Temer, Joesley,  Dilma, Lula, Marcelo Odebrecht ou Bolsonaro – e Marina, Dória, Ciro, Joaquim Barbosa, Luciano Huck ou qualquer coisa dessas – resolvam nossas questões.

Essa gente não está nem aí para você. Se manque.

Sinto intolerância à espera de soluções por parte de quem, à esquerda e à direita, sempre nos chicoteou e usurpou.

O que vou dizer não é sobre fazer passeatas e pressionar governos – algo que deve ser feito sempre.

Em verdade, não há como imaginar que a minha e a sua vida dependam desse foco de atenção que nos consome sem resposta. Vivemos em um SISTEMA (e não em um esquema) de corrupção.

Pode gastar todo o seu repertório de indignação no facebook.

Pode ir para passeata pacífica que qualquer governo vai te apoiar e garantir seu “livre direito à manifestação”. Esgoele-se de gritar com seu cartaz de bolso no meio da multidão esperançosa… e volte para casa para tudo permanecer igual.

Ou então façamos uma manifestação violenta e sejamos drasticamente reprimidos pela PM e pelo Exército. É tiro. É porrada. É bomba. E isso você não aguenta porque o monopólio do uso da força faz do Estado o maior especialista em te reprimir.

Não confunda o que vou falar com ficar parado e aceitar a realidade. Mas fica o alerta para que aprendamos, em algum momento da curva, a não apostar todas as energias em uma resposta só.

No Tp1, cultivamos uma certeza: nenhuma solução para nos tornar melhor virá de Brasília.  Aquilo ali já era.

No entanto, sinta-se livre para acreditar que algo realmente importante possa vir de lá.

Antigamente eu supunha que toda obra ou serviço público tinha propina e gerava algum esquema para alguém.

Era só cutucar que sempre saía algo estranho.

Quão infantil meu pensamento!

Na verdade, obras e serviços públicos, regra geral, SÓ EXISTEM quando propiciam formas de subtrair recursos além da conta para quem nem deveria chegar perto de dinheiro – como os políticos.

A melhor maneira de recriar esperança e construir a realidade que precisamos, primeiro, é admitir, entre nós, que temos pessoas suficientes sentindo o desafio e a necessidade urgente de transformações. Sinto Londrina assim.

Mas não são transformações para alguém fazer por nós. Ninguém virá.

Você pode achar pueril o que afirmo, frente ao gravíssimo estado de coisas em que nos encontramos.

A mim, esta foto abaixo é a expressão de parte de uma realidade possível de erguer, apesar de tudo, com quem aceita transformar fazendo a sua própria metanóia.

Essa turma se encontrou, a convite do Tp1, durante um fim de semana, para aprender um método de mediação de conversas. Essas conversas acontecem em rodas de leitura.

E a gente faz um país…

O método da Fundação Geniantis é poderoso: a leitura é o grande pretexto para as pessoas estarem juntas, se reconhecendo ao longo de vários encontros, ouvindo e construindo uns com os outros.

Quando a gente aprende a conversar, faz. Quando a gente aprende a estar junto, isso gera ideias, interações, negócios, desafios, trocas pessoais.

Põe aí na busca do Google para você sentir o peso de decidir-se por uma metanóia.

Quando você “toma” metanóia, simplesmente para de esperar que alguém faça por você aquilo que você mesmo deve fazer.

Acredito no poder das cidades e dos moradores das aglomerações urbanas. Tenho certeza que se há algo por começar, deveria começar por Londrina.

Aqui somos equipados com condições que outras cidades nem sonham em ter. E temos um poder: o poder de ser morador de Londrina.

Agora voltemos ao momento que nos dói.

Lembre junto comigo.

Primeiro vieram as marcas de roupa – da Marisa à Zara – e nos mostraram a face oculta da escravidão nas etiquetas dos casacos que usamos.

Depois, a Odebrecht e a OAS esfregam na nossa cara como se faz corrupção com o futebol nacional e a Copa do Mundo. E empurraram, goela abaixo, gigantescas obras – atingindo até o coração do Brasil, com hidrelétricas em plena Amazônia. Foi como se fraudassem o nosso arroz-com-feijão.

Chega a Operação Carne Fraca para comprovar como aquele sanduichinho gostosinho no SubWay da Gleba Palhano faz parte de uma máquina de lavagem de dinheiro de propina por um fiscal do Ministério da Agricultura em Londrina.

E aqueles coreanos que você imaginava super-rígidos na moral e nos bons costumes – os donos da marca da tevê da sua sala?

Pois então: a Samsumg também nos fraudou em um esquema com navios-sonda na Petrobrás – no mesmo pacote, estão Eduardo Cunha e os doleiros dos crimes do mercado. Tinha holandês fazendo esquema com a Petrobrás em dragagens de portos também.

Daí conhecemos Joesley da JBS/J&F, que flana leve com sua narrativa de quem pagou quase 2 mil políticos como se contasse uma anedota no boteco. “Aí eu peguei e paguei meio milhão para ele por semana …!” (ahahahahahahahah)

E o que Joesley e seu conglomerado te mostram é a corrupção além da simples carne com SIF fraudado. Vai da margarina (iec!), aos drumetes de frango venenosos da Big Frango estalando no seu fogo. Está naquele queijinho Faixa Azul que você rala. E no macarrão também.

Está no detergente Minuano e na sandália Havaiana que, com o tempo, agora solta as tiras.

Tem esquema até no seu Neutrox, se você é disso. Tem lá na sua roupa Timberland também.

Mas você acende a esperança e diz: “Nos países desenvolvidos é diferente – o Brasil tem que chegar lá!”

Não, não é. Nunca foi. Nunca será.

Cena do filme TERRA: Netflix e Youtube tem

Americanos, franceses, italianos, gregos – até os alemães – praticamente todos os povos, de maneira geral, tornam-se presas das marcas que mais adoramos comer, vestir, dirigir, nos dar confortos.

Uns mais, outros menos. Todos sempre.

A nossa relação com as grandes marcas e empresas é tão conecta que quase podemos afirmar que elas fazem isso … por nós!

Para garantir o que queremos na escala humana que desejamos, os mundos políticos, estatais e econômicos forjaram incríveis alianças contra nós mesmos, comuns.

Convença-me que tem solução o sistema em que o amigo da JBS entra com nome falso pela garagem da casa do presidente. Ou um mundo em que um ex-presidente tem seu sítio reformado pela empreiteira que representa – antes, durante e depois de governar a República.

O poder e o dinheiro sentam-se com os pés na mesa na sala de qualquer senador ou deputado – e o tem como sócio. O BNDES, por exemplo, enfiou R$ 10 bi no grupo de Joesley e tornou-se dono de quase 30% do negócio. Fora empréstimos na CEF e BB, cujo total pode bater R$ 50 bilhões em facilidades para a JBS/J&F.

Tudo para que produtos e confortos estejam ao alcance das nossas mãos, na prateleira do mercado, a preços “módicos” em uma produção mais industrial o possível, para o máximo de humanos possível.

E se é a gente quem alimenta essa roda, a história tem, portanto, com cada um.

É com nossos dinheiros, vontades e desejos que essa intensa e imensa máquina gira e permanece em moto-perpétuo. Um ultracapitalismo estatal que nos governa junto com os governos…

Dá para boicotar a JBS no churrasco de fim-de-semana? Fazemos cócegas na Coca-Cola toda vez que decido não comprar uma latinha (só por hoje, só mais um dia)?

Vale aplicar tempo pensando nisso?

Conseguimos comer e sobreviver fora da mesa posta para nos jantar?
Há provas que sim.

Uma parte dessa prova está nas coisas locais que podemos erguer.

Semana passada, o Tp1 esteve no sítio Rampazzo, em São Luís, em uma visita organizada para moradores de Londrina.

Um casal de amigos – Telma e Luís –presenteou-me com duas dicas de filmes que captam o exato momento em que estamos.

Assisti e passo à frente.  Sim, tem na Netflix e no youtube.

Os dois são documentários franceses. O primeiro é TERRA – O filme.

Nesta produção, micróbios, fungos e bactérias contam a origem da humanidade que nos tornamos.

TERRA nos leva da floresta às cidades. Passeia pelas mais formidáveis e destrutivas coisas criadas pela humanidade para a gente mesmo.

Da evolução biológica de nós bichos à tecnologia, o documentário avalia o caminho percorrido por um olhar conjunto do nosso resultado produzido sobre o globo terrestre.

Sim, você vai se sentir dentro disso.

Ver de cima as criações gigantescas de gado nos EUA (ou no Brasil) não é, exatamente, a visão que gostaríamos do nosso bife mal passado no prato.

E a assustadora cidade russa erguida só para a exploração dos recursos minerais de uma área no meio do nada no gelo… Para termos um Iphone.

Dá para entender com perfeição em qual ponto chegamos dos processos que criamos como humanidade.

E aí tem um outro documentário que mostra a “virada”, aponta a perspectiva.

E foi impossível não encarar o Tp1 como parte dela.

O documentário, também francês, é DEMAIN – Le Film.

Traz o exato “outro lado” de toda a movimentação destrutiva que geralmente observamos sempre muito mais.

Os franceses conduzem com muita sensibilidade o registro das práticas ao redor do mundo que se contrapõem com dignidade – talvez não em intensidade e ainda na mesma escala – às coisas que nos dóem e nos deterioram como seres humanos.

Uma grande cidade americana onde o lixo é altamente controlado e não se torna problema.

A experiência de energia gerada de forma inteligente e não-destrutiva em países nórdicos.

A empolgação de finlandeses com suas visões e práticas de educação inimaginavelmente incríveis. As novas formas de se alimentar em Detroit.

As dezenas de moedas locais complementares na Inglaterra – totalmente paralelas às do país…

Aliás, essa questão das moedas locais é o que impede totalmente os dinheiros circulantes em um determinado espaço de “irem embora” dele – posto que só tem validade ali.

No Brasil, inclusive, temos centenas de moedas complementares – e o Banco Central dá uma espécie de assessoria para quem quiser criá-las no território.

São tantos os caminhos viáveis de nos desenvolvermos em nível local ou micro …. e todo dia me pergunto até quando vamos prescindir de um sistema centralizado em Brasília para nos deixar sermos responsáveis pelas nossas próprias vidas e felicidades.

Então, assista ao TERRA. E veja DEMAIN. Lembre-se de que os responsáveis por injetar esperança na vida da gente só podem ser nós mesmos, com nossas atitudes, ações e construções.

E o Tp1 faz parte disso. Vem também se você quer.

Somos Londrina. Somos Todos por Um

O DESAFIO DE SER UM NOVO MORADOR DE LONDRINA

por Marcelo Frazão

Londrina – A história de Londrina é história de quem vem de fora.

Desde o começo da cidade é assim. Olha só o quadro das populações de Londrina até 1938, pouco tempo depois de nos fixarmos como povoado.

Só gente de fora. Nessa época, o Censo de Londrina mostrava que a cidade tinha mais estrangeiro do que brasileiro.

A fonte é o Museu Histórico de Londrina.

O que fazia um estoniano por aqui em 1938? E alguém de Liecheinstein?

Pergunto-me como havia duas pessoas de Linchenstein, dois noruegueses, um indiano e um estoniano por cá nessa época…

Faz algum tempo que não sinto essa sensação de “ser de fora”. Raramente vejo algo sobre esse tema que muita gente enfrenta na vida: mudar e se adaptar a uma nova cidade.

“Mas Marcelo, com essa onda xenófoba você vem me falar de brasileiro que muda para outra cidade dentro do país e acha isso complicado?”

Exatamente. São situações diferentes.

Mudar dentro do país onde mora já é um momento bem difícil para qualquer pessoa.

Independente da estrutura social, nível de educação ou objetivo, chegar em um lugar que não era o seu pode ser algo complexo para quem tomou a decisão – ou foi obrigado a tomá-la, premido por algum problema.

Ir para um lugar que você desconhece é duro. Imagino o frio na barriga de tomar uma decisão dessas.

E veja só: se em 1938 conseguímos ter esse panorama, hoje fica a curiosidade de saber a taxa de novos moradores de Londrina. Com tanta tecnologia, não há IBGE ou Censo que responda isso.

Não importa muito na prática porque todo mundo que chega a Londrina torna-se londrinense de forma automática.

Vir de outra cidade tentar, vir procurar emprego, vir estudar na faculdade, chegar atrás do amor que mora aqui, vir para a pós-graduação, a obra, para algo temporário e acabar ficando…
Qual é a sua história com Londrina?

Começar do zero. Fazer amigos. Entender onde é cada lugar. Redesenhar na cabeça o traçado das ruas, dos quarteirões. Saber quem são os vizinhos.

Outro lugar…

Penso que casos como o meu – vir para Londrina para estudar – são relativamente mais simples.
A minha família dava apoio, inclusive financeiro. Eu já tinha no bolso uma conexão com a cidade – no caso, a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Meus futuros amigos, vizinhos, parceiros estavam ali. Fácil.

No século passado, quando ainda estava na UEL, costumava prestar atenção a uma coisa.

Como estudante, chegávamos a Londrina, morávamos, fazíamos estágio, gastávamos, jogava meu lixo aqui, dava descarga aqui, ia no hospital aqui, fazia qualquer coisa aqui durante todo o tempo.

E quando alguém perguntava de onde eu era… respondia que era de fora!

Eu havia chegado do Espírito Santo, com uma baldeação de um ano no quente noroeste de São Paulo (Fernandópolis, mais exatamente).

Passado um tempo da faculdade, a maioria do pessoal nem se importava de tirar um título de eleitor na cidade.

Mesmo depois de anos em Londrina, via que parte dos universitários não se importava de saber o nome do próprio bairro. Não conheciam nem mesmo a rua de cima da casa onde moravam.

– Você é de onde?

– Do interior de São Paulo.

(Nãoooooooooo!)

Nem sei exatamente quando me dei conta disso e fui fazer o que precisava. Tirar o título de eleitor e votar em Londrina era a primeira coisa que me vinha à mente para falar, dali em diante, que eu era daqui de Londrina.

Tonto, imaginava que logo o título de eleitor era o que me conectaria à realidade da cidade…? Mas vamos lá: foi o meu primeiro passo para sair da “alienação” de quem se sentia de fora e queria mais da cidade.

Londrina, 1950, flagrante de Haruo Ohara, pertencente ao MIS de São Paulo

 O fato é que a história da gente em outra cidade nunca se apaga. Mas quando você começa a construir a sua história com Londrina… isso domina você.

Com o tempo, até hoje, quando alguém me pergunta de onde sou, respondo como se meu DNA fosse do mais legítimo sangue pé-vermelho: “Desde 1997 sou daqui”, tasco.

Aliás, faço uma ressalva. Quem é daqui e acaba tendo que deixar Londrina, por qualquer motivo, nunca mais consegue responder que é do lugar novo para onde se mudou.  Você pode até sair de Londrina. Mas Londrina não sai de você. Pode perguntar para algum amigo, parente ou conhecido que se foi. O cara mora no Japão ou no Acre e sempre vai responder, se questionado: “Sou de Londrina”

Pode ter morado em Nova Iorque, Praga, Santiago, São Tomé das Letras ou Bonito. E se mora em Londres, dirá que é de Londrina mais ainda. Deve ser efeito do fog/smog de lá.

Voltando aos moradores que se mudam para Londrina.

Pensando nessa aflição, um dia gostaria que o Tp1 seja um recepção para os novos moradores que chegam na cidade.

Queria entender melhor como é mudar-se para cá. Para a gente que já está aqui é tudo tão simples, fácil, conectado, com sentido…

Receber os novos moradores e mostrar a cidade seria a primeira tarefa da recepção. Um passeio pelos bairros para ajudar a escolher o lugar onde pudesse morar da melhor forma – considerando, evidente, o poder aquisitivo dele.

Quem é de Londrina pode ajudar muito nessa escolha, que geralmente não é fácil.

O novo londrinense também entenderia o roteiro inicial das coisas que importam para Londrina. Receberia um manual de como viver na cidade – com práticas mínimas necessárias para o funcionamento da urbe e sobre como se integrar na vizinhança.

Quem sabe um evento de boas vindas onde mais antigos/pioneiros se reunissem para conhecer e ajudar nessa dificuldade inicial – material ou não.

Dia desses, em uma das idas do Tp1 à agrofloresta da Terra Planta, esteve com a gente a Sabine VB. Sabine acabou de mudar para Londrina com o filho. Veio de Sorocaba, incentivada pelo irmão – que também esteve no encontro do Tp1. Antes, ela morou muitos anos Bélgica.

Perguntei à Sabine sobre o impacto da mudança para Londrina e como ela se sentia com isso:

“Sabe, busco não colocar muitas expectativas ou expectativas muito altas. Vim de coração aberto para novas oportunidades. Quero mudar de vida, de mundo, mudar o jeito que encaro a vida. Aos poucos, com paciência, curiosidade, vou encontrando as pessoas certas no caminho”.

Sabine, pode contar com o Tp1 nessa!

Eis o depoimento dela:

Se você leu esse texto e conhece algum novo morador de Londrina, peça para ele entrar na lista do Tp1!
Basta cadastrar o e-mail no nosso site e aí começam as conexões.

A gente ainda não tem um “serviço”desses, como delineado no texto,  específico para quem chega. Mas temos a certeza de que podemos ajudar bastante quem chega para construir com os demais moradores da nossa cidade.

Todo mundo é necessário.

Cadastre o seu e-mail e seja bem-vindo a Londrina!

Somos Londrina. Somos Todos por Um

UM GUIA DA FLORESTA, UM ESCRITOR E UM DOUTOR SE ENCONTRAM NO MEIO DA MATA DOS GODOY. E VOCÊ DEVERIA VER O RESULTADO

A Mata dos Godoy como nunca vimos

Marcelo Frazão

Londrina – Se você pensa que a defesa da Mata dos Godoy é um assunto apenas para ambientalistas cheios de ideologizações, chegou a hora de realmente prestar atenção nesse assunto de maneira séria.

Você precisa ler e assistir ao que três moradores da cidade – especialistas em Mata dos Godoy e nos elementos dela – têm a dizer.

Um poeta, escritor e literato, que conheceu os antigos donos do local (os irmãos Olavo e Álvaro Godoy) – o ímpar Domingos Pellegrini.

Um empirista que convive há 27 anos com o que há dentro da Mata – o experiente Zé da Mata.

Um pesquisador de Biologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) de alto nível – o doutor Edmilson Bianchini.

No lugar de uma reportagem comum, convidamos 20 moradores ligados ao Tp1 para irem ao Parque Estadual Mata dos Godoy nessa “viagem”.

Os moradores que acompanham o Tp1 com Pellegrini, Bianchini e Zé da Mata: conhecimento integral sobre a floresta

Uma multivisão do que “significa” a Mata e que raramente é ofertada.

Quem foi, viu uma pequena mostra de como a relação entre ciência, poesia, biologia, história, lutas pessoais, geologia e literatura interagem e ajudam a entender o porquê de a conservação da Mata dos Godoy estar acima de qualquer interpretação que isole a floresta como um caracter ambiental – o que mesmo assim já seria extremamente rico.

“Tivemos uma experiência para a vida”, concluiu a moradora Juliana Antivero, depois da aula de campo do Tp1 com os três “mestres” da floresta.

Não se trata de uma floresta “qualquer”: do tamanho de quase 700 campos de futebol (690 hectares), o Parque da Mata dos Godoy é o retrato do que sobrou de menos de 5% do que já foi a Mata Atlantica em Londrina, no Paraná e no país.

Há quem veja o número como um argumento “ambientalista” para sustentar a existência e a não-agressão completa que Londrina ainda deve à Mata dos Godoy.

Então, perceba mais esse dado: segundo a Fundação Osvaldo Cruz, nos próximos 25 anos o aquecimento global deve elevar em até 5,6º graus a temperatura média de Londrina e do Norte do Paraná.

Está aqui no site oficial da Fiocruz.

Traduzindo: se eu e você estivermos vivos em 2042, vamos nos sentir como em um forno permanente de um verão estendido. Não será gostoso – menos ainda com o cenário de mais seca e redução das chuvas em 18%.

Se isso ainda não justifica a existência da Mata para muita gente, o Todos por Um capturou mais dimensões sobre ela.

A Mata dos Godoy não é nem mesmo ainda totalmente clara para a ciência e para quem há décadas a estuda.

A sensibilidade da floresta tem uma dinâmica intrincada, ameaçada pelo avanço desnecessário da cidade sobre ela.

O chamado “urban spraw” – espalhamento das manchas urbanas sem controle – é atualmente a maior ameaça à Mata dos Godoy.

Vai patrocinada pelo imobiliarismo e pelos especuladores de terras pendurados em governos que ameaçam a floresta enquanto clamam por “desenvolvimento”, vilipendiando até mesmo o próprio conceito econômico.

Entre perobas e figueiras de até 500 anos dentro da Mata, nossos três especialistas seguem “assuntando” floresta adentro.

Pellegrini (camisa alaranjada) com Edmilson Bianchini: papo de alto nível no meio da floresta

“Na mata duas espécies de figueira e o palmito se encaixam como espécies-chave. São espécies que abastecem os animais durante épocas de “seca” da floresta. Os animais usam essas árvores para a manutenção da fauna no período desfavorável de alimentação. Se as perdermos, a fauna fica sem alimento e é possível perdermos os animais também. Teríamos o que se chama de perdas em cascata: uma série de perdas na floresta decorrentes do começo do desaparecimento de uma espécie em um determinado momento”, explica Edmilson Bianchini, doutor em Biologia Vegetal, pesquisador da Mata desde 1989.

E segue:

“A complexicidade desse ecossistema é muito grande. Nós não conhecemos praticamente nada dessa complexidade porque as redes biológicas estão só começando a ser estudadas, com pesquisas com orquídeas e polinizadores. E quando a gente interfere em algo assim, dificilmente consegue reestabelecer”, define.

Nos ambientes originais, o nível de interação micro e macrobiológica é tão extenso que o professor faz um alerta:

“Imaginar que o homem vai conseguir fazer uma floresta com o nível de complexidade que nós temos aqui na Mata dos Godoy é utópico. Não existe. A gente consegue reproduzir fisionomicamente uma floresta. Podemos ter uma visão de uma floresta parecida com essa, mas com esse nível de complexidade aqui, jamais. Inclusive pode ser que nós já tenhamos espécies extintas aqui na Mata decorrente da redução do tamanho dela. Então, é extremamente importante a conservação disso que temos – e que é primitivo. Criando uma zona de amortecimento, por exemplo, capaz de diminuir ao máximo qualquer impacto que possa ser causado nesse ecossistema. A zona de amortecimento é extremamente importante na conservação dele”.

O pesquisador considera que a Mata dos Godoy é um “banco genético” gigantesco do que existe da biodiversidade.

É como se no lugar de apenas empalharmos animais e lotarmos geladeiras de laboratórios com sementes de árvores, cascas de tronco, borboletas, insetos e amostras de DNA da fauna e da flora – tudo isso já existisse.

E melhor: vivo na própria floresta.

A Mata, reforça Bianchini, também “abastece” outros 70 fragmentos de pequenas florestas com a biodiversidade que irradia dela.

E qual é a idade da floresta?

“O que temos aqui é resultado de uma atividade de 5 bilhões de anos”, conclui Domingos Pellegrini, entre uma e outra história sobre os irmãos e antigos donos das terras onde está a floresta – Álvaro e Olavo Godoy.

Como a floresta só existe em razão da terra vermelha – o solo de Londrina “nasceu” da oxidação/degradação da lava vulcânica derramada por aqui – então a Mata dos Godoy, na prática, tem a idade do planeta Terra.

Zé da Mata abraça peroba nos Godoy: respeito por 500 anos de idade

TOC-TOC-TOC

(“Toc-toc-toc”) – “Olha só esse som!” – chama atenção o experiente Zé da Mata, um operário da floresta que está ali há 27 anos, desde quando o parque foi inaugurado pelo governo do Paraná.

Ao lado de uma gigante figueira, ele conta a história.

“Diz a lenda que os índios batiam nas catanas (as raízes tabulares das figueiras) para reproduzir um som oco que servia para alertar sobre a presença de brancos no meio da floresta”, conta Zé da Mata, fazendo o que fala.

 E mais uma parte de toda essa história você pode acompanhar nesse vídeo de 7 minutos em que os três trocam conhecimentos sobre o poder da nossa floresta pé-vermelha.

Sempre que você pensar na Mata dos Godoy, lembre-se de que a maioria das cidades brasileiras há tempos não tem mais um ativo desse nível perto.

Só dá play!

3 visões sobre a Mata dos Godoy

Somos Londrina. Somos Todos por Um.

QUEIROZ, O AUTOR DA BARRAGEM DO IGAPÓ

queiroz
FOI INCRÍVEL:
O dia em que encontramos o engenheiro
que projetou a barragem do Lago Igapó
Quando a gente se abre para a cidade…
…. a cidade se abre pra gente!
Marcelo Frazão aqui!
Quem foi ao passeio do Tp1 Londrina – Cidade Invisível, Da RUA ao RIO, neste feriado de manhã, teve uma surpresa daquelas!
Logo na esquina da saída o grupo encontrou José Augusto Queiroz.
O Queiroz é ninguém menos que o engenheiro que calculou e projetou a barragem do Lago Igapó – origem do cartão postal de Londrina.
Sim, o Tp1 ajuda os moradores de Londrina a se conectar mais com a cidade. E isso foi simplesmente FANTÁSTICO!

Em julho de 1959 a barragem foi aberta e o Córrego Cambezinho virou lago.
Uma façanha para um recém-formado que, junto com amigos projetistas, executaram a obra sonhada pelo prefeito Antônio Fernandes Sobrinho .
“Sejam mais e mais solidários. Vocês não sabem o que é solidariedade”, foi o pito coletivo que o engenheiro deu na gente, logo que nos encontrou.

“Vocês não sabem o que é solidariedade”.

Ele tem razão.
DCIM999GOPRO
Quando o Igapó foi feito, a história conta que Londrina só tinha metade do dinheiro para a obra.
A outra parte foi feita com solidariedade: se você tem hoje o Igapó é porque centenas de pessoas DOARAM dinheiro, materiais, força de trabalho e dedicação para a barragem existir e formar aquele cenário.

“Uns davam meio caminhão de madeira, saco de cimento, areia, pedras. Teve gente que doou a área que ia ser inundada, abrindo mão de indenização. Houve muitas doações, muita gente, muita participação”,

conta o engenheiro.
Na foto, a gente junto com quem cravou a história de Londrina há 57 anos, construindo a barragem que deu origem ao Lago Igapó!
Veja mais sobre esse personagem de Londrina nesta reportagem da RPCTV.
Somos Londrina. Somos Todos por Um.
DCIM999GOPRO