Orgulho e preconceito.

Por Christina Mattos – 

O estudante Tiago Pyn Tánh de Almeida quis gravar o vídeo sem camisa, pintado com as marcas tribais e usando um bonito cocar na cabeça. Falou para a câmera na língua materna, o Kaingang. Revelou, a cada frase, orgulho de pertencer ao seu povo, amor pela cultura indígena e o desejo de ajudar a  comunidade.

Tiago é um dos estudantes indígenas protagonistas da série “Terra e Identidade, autobiografias étnico-comunitárias”, produzida na Uel. Os alunos criaram os vídeos em parceria com colegas dos cursos de Jornalismo e Design Gráfico. As professoras Ana Luisa Boa Vista, do Design, e  Monica Kaseker, do Jornalismo, orientaram o grupo.

A proposta é fortalecer a identidade dos estudantes que estão entrando na universidade, por meio de uma experiência que permite olhar e valorizar a própria história. Também é uma forma de denunciar e  enfrentar o preconceito.

 

“Além dessa questão do fortalecimento da identidade, outro objetivo desses vídeos é dar maior visibilidade para a presença indígena na Universidade. Nós ainda temos uma Universidade que é etnocentrista, preconceituosa e que não trabalha muito bem com as diferenças. Mostrar essas histórias pessoais étnico-comunitárias tem esse objetivo de aproximar pessoas de culturas diferentes, fazer com que esses estudantes sejam recebidos de maneira mais adequada, respeitando as diferenças.” 

Mônica Kaseker, professora da Uel.

 

Segundo a professora, na Universidade as queixas de preconceito são frequentes e muitas vezes não apuradas. Ela lembra de um caso, no ano passado, quando um estudante de Medicina teve que se retratar publicamente por causa da forma que se referiu aos indígenas no Facebook.

Os vídeos da série “Terra Identidade” tratam de dificuldades e desrespeito, mas também revelam histórias inspiradoras, costumes, sonhos e valores.

Tiago diz que conquistar uma vaga na faculdade é a realização de um sonho pessoal e de todo um povo. Reclama que são poucas as vagas destinadas aos indígenas e que a maioria das  pessoas nem sabe da presença deles na universidade.

“Pra eles, somos invisíveis. Precisamos nos mostrar dentro e fora da Uel. Pra que nos enxerguem. Isso é muito importante.”

Tiago Pyn Tánh de Almeida

 

Hoje a Uel tem 39 alunos das etnias Kaingang e Guarani. Tiago e seus colegas produziram os vídeos dentro das atividades do Ciclo de Iniciação Acadêmica Intercultural, que recebe os estudantes indígenas em seu primeiro ano na universidade. O Ciclo foi implantado em 2014 como uma política de apoio à permanência indígena na UEL.

Ao final do primeiro ano na universidade, os estudantes escolhem um curso de graduação. Tiago pensa em Geografia. Pode mudar de ideia diante das descobertas que virão pelo caminho. Certo é que já está contribuindo para garantir o lugar dos indígenas na universidade, na cidade, no mundo.

A série de vídeos Terra Identidade está sendo exibida no Youtube, no canal da CUIA (Comissão Universidade para o Índio).

A história do Tiago você pode ver aqui mesmo, agora.

 

O homem que plantava árvores.

Você já plantou uma árvore? O Tp1 te convida a adotar uma árvore. Não precisa ser hoje, Dia Mundial do Ambiente, mas é necessário que seja logo. Inspire-se com o premiado curta de animação, “O Homem que plantava árvores”(1988),de Fredéric Back, baseado no conto de Jean Giono. Ele conta a história de um homem simples que, sozinho, conseguiu recuperar um vale degradado na França. Cada um de nós pode fazer algo pela Natureza. A bióloga Gabriela da Mota Ferreira, parceira do Tp1, sugere que todos adotemos ao menos uma árvore na vida. Uma que você mesmo plantou ou que está no seu caminho de todos os dias. Pesquise a espécie, aprenda a cuidar da árvore, faça registros de imagem e texto. Se gostar da ideia, comece essa história e compartilhe com o Tp1.

CASOU E ESQUECEU A BICICLETA? CONHEÇA O BIKE ANJO LONDRINA

Por Marcelo Frazão –
Se você, anos atrás, ficou entre casar e comprar um bicicleta e acabou escolhendo um casamento sem andar de bike – chegou a hora.
Chame a sua companhia e deixe de lado essa estranha exclusão.
Sobre bicicletas (e não sobre casamentos), é verdade que se um dia você já aprendeu a andar e deixou de lado, dificilmente terá se esquecido de como se equilibrar sobre uma.
Nem se esforçando dá.
Como se diz em internetês, “não tem como desver”.
Mas… e quem nunca andou?
Como fica esse batalhão de gente que não ralou o cotovelo quando criança e depois de adulto nunca sentiu o ventinho no rosto andando de bike?
Quem nunca teve bike por diversão, lazer, esporte, “rolê”, trilha, voltinha…. Bicicleta vai em tudo: serve até para ir ali na esquina, na padaria, no mercado, e voltar.
Tenho uma vaga lembrança de quando alguém (mãe, foi você???) “tirou as rodinhas” de uma bike azul meio perdida na minha lembrança…
Mas, e quem nunca?
Depois dos 30, 40, 50, 60 anos… quem vem tirar a rodinha de trás de quem quer aprender a andar de bike?
Quem vai estar junto dizendo “Vamos lá! Tô aqui!”?
Já ouviu falar no Bike Anjo? Pois é: eles também existem em Londrina e estão para quem precisar.
Aqui na cidade, são 13 bikers que se dedicam a dar uma mão para quem quer aprender a pedalar. Eles estão cadastrados na plataforma Bike Anjo, uma organização que hoje é internacional.
Tem Bike Anjo em tudo quanto é canto.
O movimento nasceu em 2010, junto com a “explosão” do cicloativismo em cidades como São Paulo – onde ciclovias e “pedaladores” urbanos ganharam a pauta pública.
Hoje, o Bike Anjo está em 29 países, 630 cidades.

Em algumas cidades, os anjos de bicicleta também ajudam grupos a circular por trajetos desconhecidos com segurança. E, sobretudo, difundem o uso das magrelas.
Em Londrina, o ciclista Mário Trevelin, 30 é um dos voluntários do movimento.
(você já deve tê-lo visto por aí trocando quilômetros de pedaladas por doações de alimentos para entidades)
“Desde 2015 já ensinei algumas pessoas a andar de bike do zero”, conta Mário. “Fazer parte de um grupo que ajuda pessoas de todas as idades a pedalar, no país inteiro, é mais um dos prazeres que desenvolvi com a bicicleta”.

No Bike Anjo, tudo é bem simples e direto.
Pela plataforma na internet – Bike Anjo (bikeanjo.org) – quem quer aprender a andar de bicicleta pede ajuda a um voluntário já cadastrado no sistema.
De forma aleatória, respeitando a cidade ou região de quem quer o suporte, o sistema escolhe o ciclista da vez.
Quem quer e quem precisa combinam o lugar e o horário. Se ambos toparem… bike!
“Entre 20 minutos e 40 minutos é suficiente para uma pessoa ganhar a liberdade em duas rodas”, assegura o bike-anjo.
Além dos 13 bikers cadastrados em Londrina, a Associação JCI (Junior Chamber International) também está junto nas pedaladas de aprendizagem. Dão aquela força.
Evento
No dia 11 de março, o grupo de anjos ciclistas de Londrina instala na cidade o que chamam de EBA – a Escola Bike Anjo.
A “escola” só funciona durante o “evento”, que acontece no Aterro do Lago Igapó.   
A partir das 9h de domingo, todos se encontram – voluntários, interessados, simpatizantes e ciclistas.
É uma forma de “quebrar o gelo” e não se sentir desconfortável para marcar algo sozinho com alguém do movimento bike anjo. E nem precisa ter uma bicicleta.
Quatro anjos de Curitiba também estarão na cidade para dar apoio às pedaladas. “Este dia serve para trocar ideias e reforçar a rede bike anjo. É para integrar todo mundo no espírito da ideia”.
Em Londrina, vários lugares podem servir de “campo de teste” para os bikes-anjo e quem precisa aprender – como o Zerão, a UEL e o Jardim Botânico, por exemplo.
“Conheço pessoas que por serem mais velhas ficam inibidas e envergonhadas de dizer que não sabem pedalar. A bike é um excelente motivo para todo mundo se colaborar”, diz o ciclista.
Mário não é dos praticantes que ficam apontando animosidades e rixas entre ciclistas e motoristas de veículos motorizados. Nem pensa que, devido ao relevo, Londrina seja um lugar “impossível” para as bicicletas. Pelo contrário.
Para ele, quanto mais bicicletas, melhor. “Quando um motorista percebe que aquela pessoa ali na bicicleta poderia ser alguém da sua família, um filho, a mulher, o irmão dele, isso gera empatia. A cidade só ganha com isso”.

Esse é o Mário Trevellin, voluntário do Bike Anjo

Ventinho no rosto
O voluntário do Bike Anjo entende que as bikes se tornaram um estilo de vida: “É a melhor forma de viver e conhecer a cidade. A bicicleta permite ventinho no rosto e liberdade. Na bike, obtemos novos pontos de vista, novas perspectivas da cidade onde a gente mora”, diz. “As ruas que beiram os vales de Londrina, por exemplo, são superagradáveis para passear”, convida.
Para Mário, chegou a hora de tirar a bicicleta velha da garagem, calibrar os pneus, deixar o medo de lado e #partiupedal.
“Tem muita gente que tem bike encostada em casa e que não sabe usar. Quem anda só tem ganhos. Algumas pesquisas indicam que a bike é o veículo ideal para trajetos até 8 kms. Estudantes que usam bicicletas tem notas até 28% maiores que os colegas que não tem. E, além de tudo, andar de bicicleta é uma maneira de se socializar com a nossa própria cidade”, garante.
Resumo: Escola Bike Anjo em Londrina 
Dia: 11 de março, domingo, 9h
Local: Aterro do Lago Igapó
Para quem nunca andou e quer aprender – e para quem anda e pode ajudar. 
* Sem restrições de idade! Não é preciso ter uma bike!
 

Como o Bike Anjo se define:

  • Uma corrente do bem

  • Uma rede orgânica, espontânea, colaborativa e voluntária

  • Difusores dos benefícios da bicicleta

  • Realizadores de sonhos

Onde se cadastrar como voluntário ou aprendiz www.bikeanjo.org
Facebook Bike Anjo Londrina – www.facebook.com/bikeanjolondrina
Veja o vídeo institucional do Bike Anjo:

Assista a esse depoimento do André, que aprendeu a andar com o Bike Anjo em Curitiba, pioneiro no Paraná:
https://www.facebook.com/bikeanjoctba/videos/1893056514070312/
Bora pedalar?
Somos Londrina. Somos Todos por Um

ANÁLISE: COMO VENDER ZONEAMENTO SE TORNOU UM FILÃO EM LONDRINA

Marcelo Frazão
Londrina – Em agosto do ano passado, ao assistir mais uma sessão DAQUELAS da nossa Câmara de Vereadores, escrevi umas linhas sobre a aliança entre vereadores e empreendedores, consultores, empresários e o Conselho Municipal das Cidades (CMC) nas mudanças de zoneamento em Londrina.
O que me doía era o quanto isso nos destruía sem que conseguíssemos impedir.
Está aqui neste link.
Alterar zoneamentos, permitir o que não dá, avalizar indústrias perto de vizinhos, loteamentos onde eles não precisariam existir, comércios que causam barulho, poluição e movimentação excessiva perto de pessoas.  Na nossa cidade se pode praticamente tudo – desde que você tenha os “contatos” certos.
As práticas independem da gestão e da ideologia.
Desde o governo Nedson, passando por todos os governos municipais – dos “limpinhos” aos “sujinhos” – zoneamentos, aberturas de indústrias e de loteamentos são considerados como os “filés” da coisa pública.
E isso nunca parou.
Agora, o Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – de novo – revela que vereadores, funcionários da Prefeitura de Londrina, empresários e consultores privados ligados ao Conselho Municipal da Cidade (CMC) atuaram em um esquema de corrupção para mudar o zoneamento de áreas e transformá-las em loteamentos residenciais na cidade.
Sinceramente, não nutria mais esperança de que alguém olhasse seriamente para as históricas relações entre empresários de Londrina, CMC, Ippul, Secretaria de Obras, vereadores e os “projetos de desenvolvimento” que, em cada gestão, os prefeitos de Londrina sacam do bolso “para o bem da economia”.
Na minha mente, me toma aquela visão de nós moradores sendo pisoteados por empresas que forçam mudanças de zoneamento – como no caso da Adama, por exemplo – e na instalação de zoneamentos industriais onde eles não deveriam estar.
É assim com o caso da insistência de reduzir a zona de amortecimento da Mata dos Godoy, por exemplo, ou sobre o projeto de lei que, por pouco, não foi aprovado para permitir mecânicas, e funilarias junto com zonas residenciais.
A política local, os políticos e uma parte interessante dos empresários de Londrina são useiros em ridicularizar Ongs, movimentos de moradores e aquela sociedade que não é herdeira histórica dos pioneiros nem dona de negócios locais. Eles não fazem parte daqueles grupos da “sociedade civil organizada”.
Mas, enfim, nunca parece tarde.
O fato é que o Gaeco está aí, para reacender aquilo que movimentos como o Participa Londrina – de fiscalização sobre o Plano Diretor – sempre trouxeram à tona e, invariavelmente, eram ignorados.
11 pessoas são investigadas no esquema do Plano Diretor e devem receber tornozeleiras eletrônicas. A justiça negou o pedido de prisão para elas.
Os vereadores Rony Alves (PTB) e Mário Takahashi (PV) foram afastados e devem receber tornozeleiras eletrônicas após a Operação ZR-3 ter sido deflagrada para vasculhar a Câmara de Vereadores e residências na cidade.
Os dois foram afastados por 180 dias pela Justiça.
Entre 2013 e 2017, o Gaeco identificou que haveria recebimento de terrenos e valores de R$ 100 mil a R$ 1 milhão pelos “serviços” – que iam desde a agilização da votação na Câmara de Vereadores até os trâmites na Prefeitura de Londrina para a consolidação das áreas.
Há envolvimento de ex-integrantes da gestão Kireeff – como a ex-presidente do Ippul, Ignês Dequech, e o ex-secretário do ambiente Cleuber Moraes de Britto. Ignês, vale lembrar, foi implicada naquele rumoroso caso da liberação da construção da Havan, ali no centro de Londrina – o que também virou processo do Ministério Público à época.
Após deixarem os cargos na gestão, os dois passaram a atuar como consultores e membros do Conselho Municipal das Cidades (CMC). O lobista Luiz Guilherme Alho, igualmente ligado ao CMC, também está entre os investigados. Independente do governo de plantão, os três sempre tiveram trânsito garantido em discussões e aprovações de mudanças de zoneamento na Câmara.
Vale ressaltar que nem Kireeff nem Marcelo Belinati são investigados ou suspeitos de algo.
“Um grupo estruturado dentro da administração pública facilitava a mudança de zoneamentos mediante recebimento de vantagens indevidas”, afirmou o delegado Alan Flore, do Gaeco, em entrevista coletiva na manhã de hoje.
Veja a lista dos investigados: eles têm 24 horas para receberem as tornozeleiras eletrônicas.

  1. Rony Alves (PTB), vereador afastado
  2. Mário Takahashi (PV), presidente afastado da Câmara de Vereadores  
  3. Ossamu Kaminagakura, funcionário da Prefeitura
  4. Luiz Guilherme Alho, consultor, membro do CMC
  5. Evandir Duarte de Aquino, chefe de gabinete Rony Alves
  6. Brasil Filho Teodoro
  7. Cleuber Moraes Brito, ex-secretário, consultor, integrante do CMC
  8. José Castro Neto
  9. Ignes Dequech Álvares, ex-presidente do Ippul, integrante do CMC
  10. Homero Fronja
  11. Vander Mendes Ferreira

A CÂMARA DE LONDRINA E A FACADA PELAS COSTAS NOS ARQUITETOS E URBANISTAS DO CAU

por Marcelo Frazão
LONDRINA – Como morador de Londrina, senti o estoque do punhal. Mas se fosse arquiteto ou urbanista, imagino que a sensação seria de ter sido esfaqueado pelas costas.
Apenas dois dias depois de assinar um Termo de Cooperação com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU) –  também integrado por membros do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em Londrina – a Câmara de Vereadores, em uma única tarde de votação, tentou passar mais um “minipacote” de medidas que certamente arrepiam as melhores práticas em cidades sustentáveis.
O pacote é composto por cinco ou seis alterações em leis do Plano Diretor – como Código Ambiental, Lei de Uso e Ocupação de Solos e Lei de Parcelamento Urbano.
Em Londrina, todo ano, desde sempre, vereadores e prefeitos do momento tentam alterar regras para mudar alturas e proximidade de construções perto de fundos de vales, reduzir recuos de imóveis, reduzir áreas verdes, rediscutir tamanhos de áreas para serem doadas à Prefeitura quando um loteamento é feito (como praças e terrenos para escolas e creches), bem como para diminuir a exigência de segmentos que deveriam fazer Estudos de Impactos de Vizinhança antes de se instalar e também para alterar leis viárias e de expansão. É o tempo inteiro.
Quando se fala em áreas verdes, praças, vales, florestas, a Câmara e a Prefeitura sempre agiram, em parceria com empreendedores, construtores, loteadores, donos de capitanias hereditárias, sesmarias e senhores de terras de Londrina para diminuir, reduzir, proteger menos, estudar menos, interferir menos nos “negócios”.
A notícia sobre o acordo entre o CAU e a Câmara está aqui. https://goo.gl/5GxWLD
Essa é a foto oficial do presidente do CAU, Jeferson Dantas Navolar, e o presidente da Câmara, Mário Takahashi.

Mario Takahashi, e o presidente do Conselho de Arquitetura, , Jeferson Dantas Navolar,. Depois da foto, uma punhalada. Assessoria da CML

Após uma salada de emendas e submendas a um projeto do Executivo para regular “melhor” como deve ser a relação de Londrina com os loteamentos e o Plano Diretor, ainda é difícil avaliar a extensão do dano  – e até entendê-lo de pronto.
O que se sabe é que, no jogo imobiliário, construtores e loteadores nunca perdem porque sempre encontram-se relativamente bem associados aos poderes políticos.
O projeto do lei do prefeito Marcelo Belinati votado na última quinta-feira (17) era sobre reorganizar o que loteadores, ao abrirem empreendimentos, precisam transferir para o município. São percentuais de áreas relativas às ruas, praças, fundos de vale e terrenos para equipamentos como corpo de bombeiros, escolas, etc.
No mesmo projeto, é retirado o “poder” dos vereadores de votar, na Câmara, sobre a aprovação de loteamentos ou não. Agora, a Prefeitura quem decide  se um loteamento acima de 1,5 mil m2 pode ou não existir – sem a benção legislativa.
Realmente, parece não fazer sentido perguntar a um vereador sobre a abertura de um loteamento ou não.
Na mesma “bacia”, sem reclamações da vereança, no projeto, foi embora a exigência de que estes loteamentos realizassem o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).
A discussão sobre exterminar o EIV é a nova “moda de sempre” na administração municipal.
Na verdade, assunto antigo: sob o manto do argumento de desburocratização em Londrina, diversos tipos de empreendimentos tem sido liberados do instrumento que mede impactos de na vizinhança ou no bairro – mesmo quando tais atividades já são permitidas se instalarem ali.
Na prática, a Prefeitura não tem funcionários técnicos para analisar o que importa nos impactos urbanos e ambientais de empresas, moradias e comércios. Fora o balcão de trâmites estranhos e influências, com privilégios para uns, demora para outros, que se imisquiram nas rotinas de secretarias como Obras, Ippul, Codel, Meio Ambiente.
Não é de agora. É histórico. Pré-histórico, diria.

No lugar de ser abolido, pisoteado e achincalhado, o EIV – e instrumentos no mesmo sentido, talvez mais simplificados e não-onerosos para pequenos e médios empreendimentos e empresas, poderiam ser muito bem estabelecidos pela Prefeitura.
Com clareza. Sem liberar geral.
É o que poderia, por exemplo, restringir a circulação de carros de uma mecânica ou o obriga-la ao uso de alguma técnica menos barulhenta para esguichos de pressão ou afins. Ou permitiria indicar o limite de horário de funcionamento ou operação devido à característica daquela rua ou vizinhança em especial.
Hoje, entretanto, em nome do AGILIZA LONDRINA, quase tudo vai se permitindo sem que nem mesmo os moradores precisem ser perguntados. Começou com Kireeff. Segue com Belinati. E ruma para a porta da sua casa.
Não espante-se se a sua região ou rua, por exemplo, for tomada por carros velhos, caminhões de entregas de pequenos e médios mercados sem controle, por igrejas pipocando. E pelos barulhos e poluições de todas as atividades sem que os donos precisem nem mesmo providenciar um estacionamento ou conter certas situações com medidas simples para garantir o conforto do bairro.
Neste quesito, a administração do atual prefeito em nada difere da do anterior.
A ordem é liberar em nome do desenvolvimento – mesmo que, como moradores, desconheçamos as consequências disso e sejamos ignorados no contexto.
A avalanche de bizarrices – do Executivo de hoje ou de ontem, dos vereadores de ontem e de sempre – ou dos que não estudam a dinâmica das cidades – não cessa.
Tudo tão ligeiro e articulado que é difícil abordar e explicar na íntegra, em tempo real, o que ocorre.
Dia desses, ouvia rádio ou tevê quando me dei com uma entrevista do presidente da Câmara, advogado Mário Takahashi (PV-Oi?), argumentando o seguinte:
“- Para quê Estudo de Impacto de Vizinhança em uma zona industrial se a zona industrial já é destinada à indústria? É preciso desburocratizar e simplificar se não a cidade não anda”.
Parece lógico, não ? Não fosse apenas um jogo de palavras que nem se aproxima da ‘desejada técnica urbanística, do Direito Urbano e Ambiental e do Estatuto das Cidades.

Como se não houvesse diferenças de impacto – diante do interesse público municipal e dos moradores – entre o que pode causar uma indústria de processamento de ração e todo o seu entra-e-sai de veículos, ou uma indústria nuclear. Ou , sei lá, uma fábrica de corte de chapas metálicas.
São todos empreendimentos industriais que podem ser classificados no Plano Diretor em diversos níveis. Depende da compreensão “técnica” – e da ausência dela também.
Há ampla diferença entre uma empresa de alta tecnologia que trabalha insumos odontológicos finos de precisão e uma fábrica que manipula química e venenos. Inclusive para o trânsito e a mobilidade, por exemplo.
Na última quinta-feira (17), os vereadores Rony Alves e Mário Takahashi mexeram os pauzinhos para, em diferentes níveis, tentar cutucar legislações relacionadas ao meio ambiente – mas porque conectadas com loteadores e loteamentos.
A emenda de Takahashi ao projeto de lei da Prefeitura – cavalo de tróia sim – parece até coerente por eliminar situações estranhas na lei municipal e, em tese, tornaria-a mais clara segundo o vereador. A emenda versa sobre a Área de Preservação Permanente (APP) em fundos de vale, em frente a lagos artificiais como o Igapó (ou naturais).
No entanto, difícil entender qual o motivo e preocupação de “eliminar incertezas” – no mesmo sentido das intenções do poder executivo – que afetam apenas pontualmente loteadores e seus empreendimentos?
Temas imobiliários preocupam e movimentam mais os vereadores do que os assuntos urbanísticos e ambientais relativos ao Direito à Cidade.
O lobbye construtivo é eficiente e ativo. Funciona em horário comercial – diferente dos moradores que à tarde trabalham e não podem ir à Câmara quando pegos por votações de emendas surpresas.
Ao menos a emenda do vereador Rony Alves (PTB) – que agora cumpre publicamente o mesmo papel do lastimável ex-vereador Gaúcho Tamarrado – não passou.
Rony defende usar 50% da área que um loteador precisa doar como praça para que seja instalada dentro da faixa sanitária anexa aos vales.
Reflexo direto? O loteador “ganha” mais espaço para vender.
E metade das áreas a serem repassadas à Prefeitura como praça acabam ficando locadas em fundo de vale e a faixa sanitária que já seria transferidas pelo empresário por obrigação legal.
Um bônus para os donos de incorporadoras com o argumento (verdadeiro, mas sem conexão)  de que algumas faixas sanitárias viram depósitos de lixo.
Vale do Córrego Água Fresca, no centro de Londrina

Que tal cuidar do lugar em vez de construir nele?
Para bater palmas a tudo, a Câmara conta sempre com o vereador Jamil Janene e sua insistência estriônica em desmerecer professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), arquitetos e engenheiros sérios, moradores preocupados e membros de conselhos municipais que não batem palmas para as estultices legislativas.
Para Janene, Londrina deveria seguir o exemplo de Ibiporã “que está cheia de loteamentos que geram empregos”. Infelizmente, o vereador não tem uma nesga de noção do que seja um ideal de cidade a ser seguido por Londrina.
Uma pena.
Tudo isso às portas do debates sobre o novo Plano Diretor de Londrina.
Lembro: só dois dias depois da Câmara de Vereadores assinar um Termo de Cooperação com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) Paraná para ter mais respaldo nas decisões.
Nada pior do que começar uma relação com aquela punhalada pelas costas.
Somos Londrina. Somos Todos por Um

HÁ VAGAS PARA CÃES TERAPEUTAS!

por Chris Mattos
LONDRINA – Quando eu cheguei, o Bruno Oliveira e o cachorro dele, o Logan, estavam prontos para ajudar mais um paciente.
A porta da sala se abriu e, imediatamente, os dois entraram.
Começou a brincadeira, na verdade, uma divertida sessão de fisioterapia.
O Bruno incentivou o Logan a encontrar um brinquedo escondido em meio às macas e aparelhos da clínica.
O paciente era um menino chamado Rodrigo. Ele tem um problema neurológico e o tratamento é para melhorar a coordenação motora.
Rodrigo foi convidado a participar da busca. Se movimentou por toda sala, motivado, querendo ajudar o cachorro.
Assim, com alegria, ele fez boa parte dos exercícios que precisava.
A fisioterapeuta a Alana Barbosa Gomes diz que quando o paciente tem a companhia de um cãozinho durante a sessão, tudo fica mais fácil.
Gravei uma parte do esconde-esconde  terapêutico e  um comentário da fisioterapeuta sobre essa parceria gente e bicho.
Veja aí!

A dupla Bruno-Logan já ajudou várias pessoas dentro do projeto “Amor em pelo” da ong SOS Vida Animal.
A ong precisa de mais voluntários!
De acordo com a veterinária Cristina Tanaka, coordenadora do projeto, 40 moradores de Londrina fazem esse trabalho .
São pessoas que dedicam tempo e oferecem a companhia de seus animais de estimação para quem precisa.
O “Amor em pelo” foi criado há 4 anos.  A equipe organiza visitas dos voluntários a dois asilos da cidade e também na  Associação Flávia Cristina , onde o Tp1 acompanhou a terapia.
A associação fica na zona norte de Londrina, atende 350 pacientes, desde bebês até adultos. Além disso tem mais de 150 alunos matriculados na escola de educação especial.
O voluntário Bruno Oliveira é funcionário público e um apaixonado por cães. Tem 7!!
Vários foram adotados, retirados das ruas de Londrina.
Alguns são cães de raça, como o Logan, um pastor mallinois.
Veja aqui Bruno e Logan trabalhando em outra etapa da fisioterapia do Rodrigo.
No  vídeo, o Bruno conta porque decidiu participar do projeto “Amor em pelo”.

Zooterapia
Há citações dos benefícios da interação com os animais desde a Antiguidade.
Na Inglaterra, no século 18, havia um hospital psiquiátrico chamado Retiro de York focado da pesquisa de tratamentos não agressivos. Ficou famoso por manter os pacientes em contato com animais de pequeno porte. Os médicos percebiam que todos ficavam mais calmos.
Aqui no Brasil, na década de 50, a psiquiatra alagoana Nise da Silveira, contrária aos tratamentos convencionais da época – lobotomia, choques elétricos e trabalhos forçados -, também levou animais para dentro do Centro Psiquiátrico Pedro II , no Rio de janeiro).
(Aliás a história de Nise virou um filme , estrelado por Glória Pires e pela londrinense, Simone Mazzer. Vale ver! Nise – O Coração da Loucura ).
Hoje, no mundo inteiro, o cão ajuda médicos, fisioterapeutas, psicólogos e professores.
Nos Estados Unidos, a Pet Partners , treina voluntários e seus cães para ajudar as comunidades há 40 anos! O site deles está repleto de estudos sobre como o vínculo homem-animal faz bem à saúde física, mental e social.
Pincei uma frase de um dos fundadores da Pet Partners, o Michael McCulloch.
“Em uma época em que reduzimos as emoções à reações bioquímicas e confiamos totalmente na tecnologia para fazer medicina, é revigorante pensar que a saúde e o bem-estar de uma pessoa podem ser melhorados prescrevendo contato com outros seres vivos”.
As aplicações são inúmeras. Tratamento do sedentarismo, da depressão, baixa auto-estima, dificuldade de sociabilização, distúrbios de aprendizagem, necessidade de reabilitação motora e muito mais.
Em São Paulo, o Inataa (Instituto Nacional de Ações e Terapia Assistida por Animais) atende pessoas doentes e agora, também, refugiados. Gente com histórias dramáticas e que enfrenta todo o tipo de dificuldade nesta fase de adaptação a uma nova cultura. O programa se chama Bem-vindo Ibrahim. Veja o vídeo da campanha de lançamento aqui .
 
Quer ajudar também ?
A veterinária Cristina Tanaka conta que em Londrina o “Amor em Pelo” surgiu por sugestão de uma estudante. Ela fez uma pesquisa sobre a Cinoterapia (terapia com cães)  para um trabalho da faculdade. Já são 4 anos auxiliando pessoas com necessidades especiais, crianças, adultos e idosos.
O “Amor em pelo” está cadastrando mais voluntários para aumentar o número de pessoas beneficiadas.
Hoje são 50 voluntários e a meta é conseguir mais 10.
Os interessados recebem uma visita da veterinária para avaliar as condições de saúde do animal. Tudo é planejado pensando também no bem-estar do cachorro.
Se você acha que tem em casa um cãozinho com talento pra ser um doutor de quatro patas, ligue para a Cristina Tanaka no 99994-0726.
E mais! O SOS Vida Animal realiza feiras de adoção todos os sábados. É só acessar o  site  para confirmar o local.
Se você não tem um animalzinho ainda, que tal adotar um? Vai fazer bem pra sua saúde e pra sua comunidade!
Somos Londrina. Somos Todos por Um