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Orgulho e preconceito.

Orgulho e preconceito.

Por Christina Mattos – 

O estudante Tiago Pyn Tánh de Almeida quis gravar o vídeo sem camisa, pintado com as marcas tribais e usando um bonito cocar na cabeça. Falou para a câmera na língua materna, o Kaingang. Revelou, a cada frase, orgulho de pertencer ao seu povo, amor pela cultura indígena e o desejo de ajudar a  comunidade.

Tiago é um dos estudantes indígenas protagonistas da série “Terra e Identidade, autobiografias étnico-comunitárias”, produzida na Uel. Os alunos criaram os vídeos em parceria com colegas dos cursos de Jornalismo e Design Gráfico. As professoras Ana Luisa Boa Vista, do Design, e  Monica Kaseker, do Jornalismo, orientaram o grupo.

A proposta é fortalecer a identidade dos estudantes que estão entrando na universidade, por meio de uma experiência que permite olhar e valorizar a própria história. Também é uma forma de denunciar e  enfrentar o preconceito.

 

“Além dessa questão do fortalecimento da identidade, outro objetivo desses vídeos é dar maior visibilidade para a presença indígena na Universidade. Nós ainda temos uma Universidade que é etnocentrista, preconceituosa e que não trabalha muito bem com as diferenças. Mostrar essas histórias pessoais étnico-comunitárias tem esse objetivo de aproximar pessoas de culturas diferentes, fazer com que esses estudantes sejam recebidos de maneira mais adequada, respeitando as diferenças.” 

Mônica Kaseker, professora da Uel.

 

Segundo a professora, na Universidade as queixas de preconceito são frequentes e muitas vezes não apuradas. Ela lembra de um caso, no ano passado, quando um estudante de Medicina teve que se retratar publicamente por causa da forma que se referiu aos indígenas no Facebook.

Os vídeos da série “Terra Identidade” tratam de dificuldades e desrespeito, mas também revelam histórias inspiradoras, costumes, sonhos e valores.

Tiago diz que conquistar uma vaga na faculdade é a realização de um sonho pessoal e de todo um povo. Reclama que são poucas as vagas destinadas aos indígenas e que a maioria das  pessoas nem sabe da presença deles na universidade.

“Pra eles, somos invisíveis. Precisamos nos mostrar dentro e fora da Uel. Pra que nos enxerguem. Isso é muito importante.”

Tiago Pyn Tánh de Almeida

 

Hoje a Uel tem 39 alunos das etnias Kaingang e Guarani. Tiago e seus colegas produziram os vídeos dentro das atividades do Ciclo de Iniciação Acadêmica Intercultural, que recebe os estudantes indígenas em seu primeiro ano na universidade. O Ciclo foi implantado em 2014 como uma política de apoio à permanência indígena na UEL.

Ao final do primeiro ano na universidade, os estudantes escolhem um curso de graduação. Tiago pensa em Geografia. Pode mudar de ideia diante das descobertas que virão pelo caminho. Certo é que já está contribuindo para garantir o lugar dos indígenas na universidade, na cidade, no mundo.

A série de vídeos Terra Identidade está sendo exibida no Youtube, no canal da CUIA (Comissão Universidade para o Índio).

A história do Tiago você pode ver aqui mesmo, agora.

 

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