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RESUMO DA ÓPERA – GOVERNADOR, DEIXE A UEL TRABALHAR!

por Marcelo Frazão
LONDRINA – Foi estressante, digno e cheio de verdades claras.
O Conselho Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL) – órgão máximo da instituição que reúne todos os representantes da instituição, diretores, chefes de departamento, funcionários, representantes dos centros de estudos, reitoria  alunos – enterrou os itens enviados como “moeda de troca” para o governador Beto Richa desbloquear mais de R$ 6,2 milhões da instituição.
Em mais de 4 horas de reunião na terça-feira (13), Richa conseguiu aquilo que as redes sociais já decretaram: “nunca antes” na história das universidades, reitoria, alunos, funcionários e professores pareceram tanto um monobloco.
Sem nenhuma lembrança de rusga ou luta política, era um monobloco chamado UEL.
Fora as escaramuças e hostilidades habituais contra a reitora Berenice Jordão, ela própria, nem de longe, conduziu a reunião como alguém a curvar-se diante do governo estadual.
“Fui eleita por vocês”, lembrou, durante a reunião com os conselheiros, após um relato da conversa com o governador e demais reitores estaduais em Curitiba.
O clima da reunião foi de indignação contra o governador e a instabilidade política, jurídica e institucional provocada pela decisão de forçar as universidades a entrar em um outro sistema de controle de contas – o Meta4 –  diverso do atual – o ERGON.
De forma prática, a UEL torrou R$ 800.000,00 para fazer uma ampla atualização do sistema ERGON, comprado e instalado pelo próprio governo nas universidades. E, agora,a instituição se vê obrigada controles rígidos por parte de em a chicoteia livremente.
Hoje, é o sistema ERGON que permite a qualquer cidadão entrar no site da Transparência – tanto via site da UEL ou do governo do Paraná – e averiguar TODAS AS CONTAS da universidade.
Eu mesmo pude constatar que consigo saber quanto ganha cada ser vivente da UEL – da reitora ao funcionário da segurança. Também consigo ver como estão distribuídos os cargos de comissão, gratificações, diárias. Tudo e qualquer coisa. Achei mais simples, por exemplo, do que procurar algo na Transparência da própria Prefeitura de Londrina.
Está aqui http://www.uel.br/portaltransparencia/
Dá para melhorar? Sempre dá.
Todas as leis que permitem à UEL pagar salários para doutores, mestres, pesquisadores, funcionários da Prefeitura do câmpus ou de qualquer setor são estaduais, provenientes de Planos de Cargos Salariais e regulamentos da Secretaria de Fazenda, Administração, governadoria e da Secretaria de Ensino e Tecnologia (SETI).
Na reunião do Conselho Universitário da UEL não houve dissensos.
Um a um, diretores de centros e chefes de departamento, funcionários e alunos foram ao microfone de maneira calma, digna e organizada. E transmitiram que:
– Conversaram internamente entre todos para esclarecer a situação da UEL e a postura do governador no caso específico do bloqueio de contas.
– Discutiram abertamente o que precisa e poderia ser feito.
– Votaram e decidiram por rejeitar.
Nenhum setor da universidade conseguiu vislumbrar motivos que beneficiem a UEL na troca de sistema de controle de contas.
Do contrário: vêem nisso a brecha que o governo precisa para passar a barrar a progressão para doutores (na forma da lei, hoje a promoção pela titulação é inserida de forma automática assim que um professor conclui o curso, por tratar-se de uma meta educacional de qualquer universidade do planeta TER DOUTORES NOS QUADROS)
Todos os centros de estudos disseram-se contra o que chamam de “chantagem”e “sequestro de recursos” – originados de serviços prestados com o vestibular, elaboração de concursos para prefeituras, Hospital Veterinário, etc…

E seguiram-se: Centro de Educação Física (CEF), Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA), Centro de Ciências Agrárias (CCA), Centro de Ciências Exatas (CCE), Centro de Educação Comunicação e Artes (CECA), Centro de Ciências Biológicas (CCB), Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU), Diretório Central dos Estudantes (DCE), Sindicato dos Professores (Sindiprol/Aduel), Sindicato dos Servidores (Assuel).

Nem mesmo o representante da Prefeitura de Londrina,  com assento no conselho da UEL, discordou.
A Câmara de Vereadores, por omissão, idem. Assim como ACIL e OAB – que, salvo engano, têm representação no órgão máximo da UEL.
“Vamos lá gente. Nós mesmos aqui, a maioria de nós, votamos no Beto Richa e não concorda sob nenhum aspecto com o que ele está provocando”, admitiu um professor-conselheiro ao microfone, supersincero, para contrangimento geral.
A fala revela, novamente, que a decisão do Conselho Universitário não foi gestada diante em um “campo de batalho partidário”, “luta de classes”, “domínio do império esquerdista na universidade” nem “vitória da luta ideológica” – clichês que geralmente se tenta para explicar a UEL.
Se fosse isso, eu mesmo estaria a detalhar na íntegra isso aqui.
Não há uma única voz negando-se a entregar dados – em que pese todos eles já estarem disponíveis, como dito.
“Temos até uma sala ocupada pelo Tribunal de Contas dentro da Universidade”, lembrou um conselheiro. Não consegui checar, mas o farei. Como ninguém contestou, presumi, para juízo inicial, ser verdade.
O que ninguém imagina é como a máquina do governo de Richa – corrupta, suspeita e tão controladora quanto qualquer máquina instalada pelo próprio PT em qualquer tempo de UEL – ninguém entende como aceitar essa entrada pode melhorar a instituição e aumentar a qualidade do que hoje, sob críticas, a duras penas, é feito, produzido e apresentado.
Em mais de 20 falas, ninguém da UEL e do conselho ousou mostrar uma universidade avessa a controles.
Muito pelo contrário: todos estavam preocupados em mostrar para a sociedade o valor gerado pelas pesquisas, pelas criações, descobertas, cultura e visões que mais de 70 mil pessoas que já estiveram ali – e ainda estão – produzem pela UEL.
Vi uma comunidade universitária cansada e querendo focar no seu trabalho – ensinar, pesquisar, criar soluções – ao mesmo tempo em que “se vira nos 30” diante da falta completa de recursos.
Nem arriscaria contabilizar hoje o quanto de suporte, equipamentos, horas de trabalho – A MAIS essa gente toda dedica, compra e fornece para a UEL – extra salários – para ver a coisa andar.
Na UEL, não canso de encontrar alunos que recebem X e fazem 3X em pesquisas, horas, estudos para fazer jus ao ensino, à pesquisa e à extensão.
Vamos mostrar mais, aqui no Tp1, vários desses.

A decisão, por maioria: cansaço do refrega com Richa

Como modelo de sociedade, até ontem todo mundo não achava certo reconhecer justamente os nossos professores?
Qual o problema em pagarmos R$ 20 mil a R$ 30 mil para doutores nos topos de suas carreiras? Gente que fala três línguas, forma alunos, pesquisa, descobre, cria.
Não é só o Sérgio Moro que pode ganhar bem pelo que faz.
E nem cito aqui a completa falta de condições e impossibilidades financeiras que afetam os projetos e o ensino na UEL. Apesar disso, ainda apresentam resultados e posicionam a universidade entre as melhores do país.
AUTONOMIA, COM DISCUSSÃO INTERNA ANTES
Na reunião, o Conselho Universitário também rejeitou a proposta de Richa para elaborar, em 90 dias, um projeto de autonomia para a UEL. A toque de caixa, sob imposições, a comunidade universitária não aceita.
No entanto, como se fosse possível, sempre, aquela última centelha de esperança na crença de um diálogo com o governador e o governo, os conselheiros aprovaram o início de uma discussão interna sobre autonomia – e que desejam ver espraiada para as outras seis universidades estaduais. De qualquer forma, rejeitaram o que impõe Curitiba.
Finda a reunião do Conselho, depois de ver doutores, alunos, servidores, professores se posicionando, a impressão é de que estavam todos cansados, aflitos, esgarçados.
Do técnico de laboratório à reitora e ao professor, era geral.
Conselheiro ao microfone: consenso geral de que governador precisa entender como funciona uma universidade

Para todos, entrar no Meta4 significa deixar de fazer rapidamente aquilo que o Estado se nega a fazer – investir quando preciso, tomar decisões rápidas de realocação de recursos, ter independência para fomentar áreas específicas de pesquisa e conhecimento – no lugar de uma submissão a decisões do gabinete do governador e de secretarias como as de Fazenda e a de Ciência e Tecnologia, na distante capital.
Hoje, o governo do Estado não consegue, na canetada, simplesmente nomear um assessor (ou um séquito) para uma reitoria, para as assessorias existentes e cargos de comissão sob domínio da UEL. O que não quer dizer que reitores não façam – e não possam continuar fazendo.
Mas é fato que o espaço para a gastança é muito menor quando se tem que enfrentar de perto a comunidade universitária. E que, cada vez mais, os cargos da UEL sejam exercidos por quem já trabalha na UEL.
Atualmente, os cargos de alta gestão e direção da UEL ou são eleitos ou são escolhidos pelo reitor em exercício.
É certo e possível que assessores diretos da reitora não sejam necessariamente integrantes da comunidade universitária.
Entretanto, assim que a reitoria escolhe – de dentro ou de fora da UEL – automaticamente inclui nos sistema de pagamento.
É assim com doutores que acabam de obter o título e, por autonomia da UEL, são reposicionados na sua promoção acadêmica devida.
Com a UEL no Meta4, os dois exemplos acima certamente precisarão de ser autorizados (e serão?) pelo governador, Casa Civil, conselhos de Fazenda e Secretaria de Ciência e Tecnologia.
E, inclusive, caberia o mesmo nível de autorização para aplicar até mesmo as verbas que a UEL, com esforços próprios, obtém vendendo serviços. Esta é, inclusive, a fonte dos recursos agora bloqueados por Richa e que são utilizados em melhorias e investimentos não cumpridos pelo governo.
Veio desse dinheiro o investimento na atualização do software ERGON, responsável por fornecer a transparência que o governo acusa a UEL de não ter.
Com a UEL no Meta4, seria bastante simples para o governador pressionar pela indicação – ou deixar de fazê-lo como gostaria a comunidade universitária – para chefias do Hospital Universitário, da rádio da UEL, da TV UEL, do Museu Histórico de Londrina e das coordenações de assessorias institucionais da Universidade – como a da COPS, responsável pelo vestibular.
Talvez o governador queira a UEL no cabresto tal como órgãos como Detran, Agência Águas Paraná ou a Sanepar – onde os gigantescos salários e apaniguados são nomeados a torto e à direita – wow, Antonio Carlos Salles Belinati é diretor comercial da Sanepar, imaginem!
Nestes órgão, Richa nomeia toda sorte de mau-caráteres com altos salários quase nunca revertidos em bem da gente que paga. E ninguém consegue reagir.
Esta talvez seja uma parte da resposta oculta pelo qual o governador Beto Richa, no lugar de ajudar, investir e dialogar, claramente opta por atrapalhar.
Eis a sanha de controlar, aparelhar e sufocar – muito comum em gregos, troianos e corruptos de plantão.
Governador: deixa a UEL trabalhar!
Somos Londrina. Somos Todos por Um

2 thoughts on “RESUMO DA ÓPERA – GOVERNADOR, DEIXE A UEL TRABALHAR!

  1. Excelente matéria! Parabéns!

  2. Muito bom o texto!! Agradeço!

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