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PRESTE ATENÇÃO AQUI: BRASÍLIA JÁ ERA. BOLSONARO E LULA NÃO VÃO TE SALVAR

por Marcelo Frazão

Londrina – Existem algumas maneiras de reconstruir (ou destruir de vez) um país.

Tocar fogo em tudo, apostar em diretas já (mesmo que a menos de um ano do fim do mandato), esperar que Temer, Joesley,  Dilma, Lula, Marcelo Odebrecht ou Bolsonaro – e Marina, Dória, Ciro, Joaquim Barbosa, Luciano Huck ou qualquer coisa dessas – resolvam nossas questões.

Essa gente não está nem aí para você. Se manque.

Sinto intolerância à espera de soluções por parte de quem, à esquerda e à direita, sempre nos chicoteou e usurpou.

O que vou dizer não é sobre fazer passeatas e pressionar governos – algo que deve ser feito sempre.

Em verdade, não há como imaginar que a minha e a sua vida dependam desse foco de atenção que nos consome sem resposta. Vivemos em um SISTEMA (e não em um esquema) de corrupção.

Pode gastar todo o seu repertório de indignação no facebook.

Pode ir para passeata pacífica que qualquer governo vai te apoiar e garantir seu “livre direito à manifestação”. Esgoele-se de gritar com seu cartaz de bolso no meio da multidão esperançosa… e volte para casa para tudo permanecer igual.

Ou então façamos uma manifestação violenta e sejamos drasticamente reprimidos pela PM e pelo Exército. É tiro. É porrada. É bomba. E isso você não aguenta porque o monopólio do uso da força faz do Estado o maior especialista em te reprimir.

Não confunda o que vou falar com ficar parado e aceitar a realidade. Mas fica o alerta para que aprendamos, em algum momento da curva, a não apostar todas as energias em uma resposta só.

No Tp1, cultivamos uma certeza: nenhuma solução para nos tornar melhor virá de Brasília.  Aquilo ali já era.

No entanto, sinta-se livre para acreditar que algo realmente importante possa vir de lá.

Antigamente eu supunha que toda obra ou serviço público tinha propina e gerava algum esquema para alguém.

Era só cutucar que sempre saía algo estranho.

Quão infantil meu pensamento!

Na verdade, obras e serviços públicos, regra geral, SÓ EXISTEM quando propiciam formas de subtrair recursos além da conta para quem nem deveria chegar perto de dinheiro – como os políticos.

A melhor maneira de recriar esperança e construir a realidade que precisamos, primeiro, é admitir, entre nós, que temos pessoas suficientes sentindo o desafio e a necessidade urgente de transformações. Sinto Londrina assim.

Mas não são transformações para alguém fazer por nós. Ninguém virá.

Você pode achar pueril o que afirmo, frente ao gravíssimo estado de coisas em que nos encontramos.

A mim, esta foto abaixo é a expressão de parte de uma realidade possível de erguer, apesar de tudo, com quem aceita transformar fazendo a sua própria metanóia.

Essa turma se encontrou, a convite do Tp1, durante um fim de semana, para aprender um método de mediação de conversas. Essas conversas acontecem em rodas de leitura.

E a gente faz um país…

O método da Fundação Geniantis é poderoso: a leitura é o grande pretexto para as pessoas estarem juntas, se reconhecendo ao longo de vários encontros, ouvindo e construindo uns com os outros.

Quando a gente aprende a conversar, faz. Quando a gente aprende a estar junto, isso gera ideias, interações, negócios, desafios, trocas pessoais.

Põe aí na busca do Google para você sentir o peso de decidir-se por uma metanóia.

Quando você “toma” metanóia, simplesmente para de esperar que alguém faça por você aquilo que você mesmo deve fazer.

Acredito no poder das cidades e dos moradores das aglomerações urbanas. Tenho certeza que se há algo por começar, deveria começar por Londrina.

Aqui somos equipados com condições que outras cidades nem sonham em ter. E temos um poder: o poder de ser morador de Londrina.

Agora voltemos ao momento que nos dói.

Lembre junto comigo.

Primeiro vieram as marcas de roupa – da Marisa à Zara – e nos mostraram a face oculta da escravidão nas etiquetas dos casacos que usamos.

Depois, a Odebrecht e a OAS esfregam na nossa cara como se faz corrupção com o futebol nacional e a Copa do Mundo. E empurraram, goela abaixo, gigantescas obras – atingindo até o coração do Brasil, com hidrelétricas em plena Amazônia. Foi como se fraudassem o nosso arroz-com-feijão.

Chega a Operação Carne Fraca para comprovar como aquele sanduichinho gostosinho no SubWay da Gleba Palhano faz parte de uma máquina de lavagem de dinheiro de propina por um fiscal do Ministério da Agricultura em Londrina.

E aqueles coreanos que você imaginava super-rígidos na moral e nos bons costumes – os donos da marca da tevê da sua sala?

Pois então: a Samsumg também nos fraudou em um esquema com navios-sonda na Petrobrás – no mesmo pacote, estão Eduardo Cunha e os doleiros dos crimes do mercado. Tinha holandês fazendo esquema com a Petrobrás em dragagens de portos também.

Daí conhecemos Joesley da JBS/J&F, que flana leve com sua narrativa de quem pagou quase 2 mil políticos como se contasse uma anedota no boteco. “Aí eu peguei e paguei meio milhão para ele por semana …!” (ahahahahahahahah)

E o que Joesley e seu conglomerado te mostram é a corrupção além da simples carne com SIF fraudado. Vai da margarina (iec!), aos drumetes de frango venenosos da Big Frango estalando no seu fogo. Está naquele queijinho Faixa Azul que você rala. E no macarrão também.

Está no detergente Minuano e na sandália Havaiana que, com o tempo, agora solta as tiras.

Tem esquema até no seu Neutrox, se você é disso. Tem lá na sua roupa Timberland também.

Mas você acende a esperança e diz: “Nos países desenvolvidos é diferente – o Brasil tem que chegar lá!”

Não, não é. Nunca foi. Nunca será.

Cena do filme TERRA: Netflix e Youtube tem

Americanos, franceses, italianos, gregos – até os alemães – praticamente todos os povos, de maneira geral, tornam-se presas das marcas que mais adoramos comer, vestir, dirigir, nos dar confortos.

Uns mais, outros menos. Todos sempre.

A nossa relação com as grandes marcas e empresas é tão conecta que quase podemos afirmar que elas fazem isso … por nós!

Para garantir o que queremos na escala humana que desejamos, os mundos políticos, estatais e econômicos forjaram incríveis alianças contra nós mesmos, comuns.

Convença-me que tem solução o sistema em que o amigo da JBS entra com nome falso pela garagem da casa do presidente. Ou um mundo em que um ex-presidente tem seu sítio reformado pela empreiteira que representa – antes, durante e depois de governar a República.

O poder e o dinheiro sentam-se com os pés na mesa na sala de qualquer senador ou deputado – e o tem como sócio. O BNDES, por exemplo, enfiou R$ 10 bi no grupo de Joesley e tornou-se dono de quase 30% do negócio. Fora empréstimos na CEF e BB, cujo total pode bater R$ 50 bilhões em facilidades para a JBS/J&F.

Tudo para que produtos e confortos estejam ao alcance das nossas mãos, na prateleira do mercado, a preços “módicos” em uma produção mais industrial o possível, para o máximo de humanos possível.

E se é a gente quem alimenta essa roda, a história tem, portanto, com cada um.

É com nossos dinheiros, vontades e desejos que essa intensa e imensa máquina gira e permanece em moto-perpétuo. Um ultracapitalismo estatal que nos governa junto com os governos…

Dá para boicotar a JBS no churrasco de fim-de-semana? Fazemos cócegas na Coca-Cola toda vez que decido não comprar uma latinha (só por hoje, só mais um dia)?

Vale aplicar tempo pensando nisso?

Conseguimos comer e sobreviver fora da mesa posta para nos jantar?
Há provas que sim.

Uma parte dessa prova está nas coisas locais que podemos erguer.

Semana passada, o Tp1 esteve no sítio Rampazzo, em São Luís, em uma visita organizada para moradores de Londrina.

Um casal de amigos – Telma e Luís –presenteou-me com duas dicas de filmes que captam o exato momento em que estamos.

Assisti e passo à frente.  Sim, tem na Netflix e no youtube.

Os dois são documentários franceses. O primeiro é TERRA – O filme.

Nesta produção, micróbios, fungos e bactérias contam a origem da humanidade que nos tornamos.

TERRA nos leva da floresta às cidades. Passeia pelas mais formidáveis e destrutivas coisas criadas pela humanidade para a gente mesmo.

Da evolução biológica de nós bichos à tecnologia, o documentário avalia o caminho percorrido por um olhar conjunto do nosso resultado produzido sobre o globo terrestre.

Sim, você vai se sentir dentro disso.

Ver de cima as criações gigantescas de gado nos EUA (ou no Brasil) não é, exatamente, a visão que gostaríamos do nosso bife mal passado no prato.

E a assustadora cidade russa erguida só para a exploração dos recursos minerais de uma área no meio do nada no gelo… Para termos um Iphone.

Dá para entender com perfeição em qual ponto chegamos dos processos que criamos como humanidade.

E aí tem um outro documentário que mostra a “virada”, aponta a perspectiva.

E foi impossível não encarar o Tp1 como parte dela.

O documentário, também francês, é DEMAIN – Le Film.

Traz o exato “outro lado” de toda a movimentação destrutiva que geralmente observamos sempre muito mais.

Os franceses conduzem com muita sensibilidade o registro das práticas ao redor do mundo que se contrapõem com dignidade – talvez não em intensidade e ainda na mesma escala – às coisas que nos dóem e nos deterioram como seres humanos.

Uma grande cidade americana onde o lixo é altamente controlado e não se torna problema.

A experiência de energia gerada de forma inteligente e não-destrutiva em países nórdicos.

A empolgação de finlandeses com suas visões e práticas de educação inimaginavelmente incríveis. As novas formas de se alimentar em Detroit.

As dezenas de moedas locais complementares na Inglaterra – totalmente paralelas às do país…

Aliás, essa questão das moedas locais é o que impede totalmente os dinheiros circulantes em um determinado espaço de “irem embora” dele – posto que só tem validade ali.

No Brasil, inclusive, temos centenas de moedas complementares – e o Banco Central dá uma espécie de assessoria para quem quiser criá-las no território.

São tantos os caminhos viáveis de nos desenvolvermos em nível local ou micro …. e todo dia me pergunto até quando vamos prescindir de um sistema centralizado em Brasília para nos deixar sermos responsáveis pelas nossas próprias vidas e felicidades.

Então, assista ao TERRA. E veja DEMAIN. Lembre-se de que os responsáveis por injetar esperança na vida da gente só podem ser nós mesmos, com nossas atitudes, ações e construções.

E o Tp1 faz parte disso. Vem também se você quer.

Somos Londrina. Somos Todos por Um

One thought on “PRESTE ATENÇÃO AQUI: BRASÍLIA JÁ ERA. BOLSONARO E LULA NÃO VÃO TE SALVAR

  1. Cida Climaco Schaefer

    Em cada postagem do Tp1 percebo uma grande generosidade nas informações para nos tirar do mesmissimo.
    Obrigada, muito obrigada a vcs que nos apresentou a Eulália e nos proporcionou uma vivência incrivel com um maravilhoso grupo de ficou no coração.
    A tudo que tem nos proporcionado com a vivência dos pequenos agrucultores lutando pelas suas certificações de orgânicos, a ferinha encantadora dos orgânicos que me diz: quando o todos por 1 , vem fica mais animado.
    A Polly hoje nos dá noticia das crianças fazendo de uma gravura de fazenda abtarefa da criação.
    Assim vejo a vida mais simples, com vcs nos ajudando a fazer do viver uma realização nova a cada instante e eu ví a felicidade brilhando nos olhos do nosso grupo.
    Admiração e gratidão

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