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TIRANDO O VENENO DO PRATO EM LONDRINA!

por Chris Mattos

LONDRINA – O que você come?

O que falta à mesa dos moradores mais pobres?

Como estamos preparando a merenda nas nossas escolas aqui em Londrina?

Qual o reflexo das suas escolhas na hora de comprar alimentos?

O que isso importa para a sua saúde, a dos outros e para o ambiente?

Mudar o que a gente põe no prato pode melhorar nossos indicadores de saúde, restaurar e proteger o ambiente, aumentar a qualidade de vida, aumentar a renda dos agricultores, fomentar o consumo responsável e até atrair turistas para a nossa cidade.

Alimentos sem veneno produzidos no Sítio Rampazzo, distrito de São Luiz, Londrina, entregues na casa dos consumidores

Poderoso, não?

O caminho é longo, mas já começamos!

Londrina pode ser uma cidade referência na produção e no consumo de alimentos orgânicos.

Esta é uma crença aqui no Todos por Um. É o que temos trabalhado desde o começo.

A nossa primeira ação neste sentido começou exatamente há um ano. Foi quando cruzamos com os Rampazzo, família pioneira em Londrina, dona de um sítio no distrito de São Luiz desde a década de 40.

Nos conhecemos por acaso. Morava há poucos meses num condomínio próximo ao distrito e soube que uma moça, chamada Thaíse, entregava hortaliças sem veneno aos meus vizinhos.

Fiz a encomenda sem imaginar que estava começando uma história importante pra nós do Todos por Um.

Na época, o Tp1 ainda não existia oficialmente, faltava formalizar.

O Marcelo Frazão, o Ranulfo Pedreiro e eu já nos reuníamos 3 vezes por semana trabalhando no novo veículo de comunicação e conexão para Londrina.

Nos desafiamos a fazer Jornalismo que realmente conectasse as  pessoas. Nos comprometemos a usar nosso repertório de informações e fontes à serviço da comunidade, nos envolvendo mais – como jornalistas e como moradores – nas questões que o dia a dia em Londrina nos apresentasse.

Então, quando a Thaíse Rampazzo bateu na minha casa, quis saber de onde vinha a cesta de alimentos.

Pedi para conhecer a propriedade. Visitei o sítio. Olhei tudo. Perguntei um monte. Fiquei sabendo que eles haviam começado na cultura sem veneno buscando pelo Google. Esforço sensacional, e que poderia ser apoiado e melhorado.

Informada de  que ninguém dava assistência técnica para a produção na horta, percebi que ali é que entrava o Todos por Um.

Para juntar as pontas e aumentar a oferta de alimentos orgânicos certificados em Londrina.

Comer sem veneno, comer melhor! É uma causa que a gente defende!

Os dados do Ministério da Agricultura mostram que Londrina tem apenas 6 produtores de orgânicos certificados. Maringá tem mais de 20. Uraí também.

Fica fácil entender por que em Curitiba existem feiras orgânicas em todos as regiões, com mais variedade e preço melhor. É que metade dos produtores do Paraná está na região metropolitana da capital.

(Você pode ver  os números em detalhes no site do Ministério da Agricultura http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos/cadastro-nacional-produtores-organicos)

Foi então que enviei um e-mail para o professor responsável pelo Núcleo de Agroecologia (NEAGRO), da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Maurício Ursi Ventura respondeu logo informando que a universidade e as outras estaduais oferecem assistência gratuita. É uma parceria com o  TECPAR (Instituto de Tecnologia do Paraná), autorizado pelo Ministério da Agricultura para certificar produtores de  orgânicos.

Os Rampazzo não sabiam disso. A UEL não sabia dos Rampazzo.

Quando foram conectados as coisas avançaram rápido.

Uma semana depois um agrônomo e uma veterinária estavam no sítio dos Rampazzo.

Da esquerda para a direita: Iremar Rampazzo, Thaise Rampazzo, Giovana Fogaça, veterinária, eu e Felipe Spagnuolo, agrônomo. Foto de abril de 2016 , primeira visita da equipe do Neagro ao Sítio Rampazzo

Agora, depois de um ano, ajustando tudo conforme manda a lei, o selo orgânico deve ser concedido.

O certificado dá mais segurança ao consumidor e aumenta as possibilidades comerciais para o agricultor. Ele pode vender a produção para supermercados e participar de licitações da merenda escolar, por exemplo.

Sabe o que um agricultor precisa fazer pra receber o Selo Orgânico?

 Não basta cessar aplicação de veneno!  Olha só a lista das principais exigências – segundo o certificação do TECPAR, pela qual passam os Rampazzo.

– Cultivar barreira vegetal para isolar a produção orgânica, evitando assim que o veneno aplicado em áreas convencionais próximas contamine as plantas.

– Não usar nenhuma variedade transgênica, nem mesmo numa área separada, dentro da mesma propriedade.

– Arquivar todas as notas fiscais e recibos de insumos para comprovar procedência livre de produtos químicos.

– Criar um Caderno de Campo onde é preciso anotar diariamente o que acontece na área cultivada.

–  Documentar o Plano de Manejo Orgânico.

– Comprovar período de conversão para orgânicos de no mínimo 1 ano no caso das hortaliças.

– Tudo na propriedade precisa estar em conformidade com a legislação ambiental.

No dia da auditoria para a certificação, um grupo grande percorreu a propriedade dos Rampazzo. Além do auditor, éramos um agrônomo, uma zootecnista, um economista e a Giovana Fogaça, veterinária que acompanhou os Rampazzo desde o começo deste processo.

(Faltou o Felipe Spagnuolo, agrônomo que também ajudou muito a família até passar num concurso da Emater e mudar de cidade. Ótimo profissional e pessoa!)

Depois de muita conversa e de andar por tudo … alguns pedidos de tarefas e o suspense.

O auditor fez um relatório para a certificadora e o resultado será divulgado nos próximos dias.

Nós, do Tp1, não temos dúvida de que o Selo Orgânico tá chegando!

Durante esses 12 meses, nos aproximamos muito da Thaise , da Iremar , do seu Elias e de toda a família Rampazzo.

E levamos mais gente pro sítio.  Organizamos visitas de moradores que se tornariam os novos consumidores e aliados. Os Rampazzo contaram sobre o a vida no campo, ensinaram sobre produzir sem veneno, permitiram que os visitantes plantassem pra aprender se divertindo!

Moradores de Londrina plantando juntos na horta dos Rampazzo

Os moradores de Londrina que nos acompanharam colheram alimentos direto da horta. Tomaram água da mina. Molharam os pés no Ribeirão Água Boa. Almoçaram a comida feita no fogão à lenha. Dançaram e cantaram na varanda dos Rampazzo.

Todos nós aumentamos o nosso conhecimento sobre a cidade, nos aproximamos de outros moradores, passamos a defender uma causa importante para a saúde de todos e para o ambiente.

Chef Mi, que adora cozinhar com orgânicos, provando o sabor da comida fresca, direto da horta.

Curtindo o Ribeirão Água Boa

Almoçando como um Rampazzo

Foi o primeiro teste do MODO DE FAZER Tp1.

E não ficamos sozinhos! Tivemos fila de espera para realizar os passeios.

Outros produtores de orgânicos abriram as propriedades para os grupos do Tp1.

Trabalhamos na divulgação e no fortalecimento da única feirinha orgânica da cidade.

Acontecimentos importantes. Por isso estamos comemorando cada passo. E o Selo Orgânico dos Rampazzo como uma vitória da gente como morador de Londrina.

Nosso agradecimento a todos que  participam das ações do  #Tp1comermelhor, um grupo que está crescendo e se dedicando cada vez mais a essa causa.

Só juntos podemos construir a Londrina mais saudável, referência em alimentação.

Em parceria com produtores de orgânicos, o Tp1 está desenvolvendo outros projetos!

Um deles é o Sustenta Londrina – Circuito da Horta e da Floresta.

Um roteiro de lazer e aprendizado por propriedades onde será adotado o cultivo agroflorestal. Teremos venda direta de produtos, restaurantes com menu voltado para a saúde e cursos livres.

O que mais vem por aí?

Vamos seguir nesse desafio de melhorar o que vai no prato do morador de Londrina.

Tá servido? É só chegar perto do Tp1.

Somos Londrina. Somos todos por Um

*Se ainda não está, inscreva-se na nossa lista de moradores para fazer parte!
Vá na capa do site e deixe seu mail no campo de inscrição, ok?

One thought on “TIRANDO O VENENO DO PRATO EM LONDRINA!

  1. Muito boa reportagem!

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