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A CARTA DE LONDRINA AO STF COM UM PEDIDO DE JUSTIÇA

por Marcelo Frazão

Londrina – Não sei se você conhece alguém que já tenha feito isso, mas queria te apresentar a Laila Menechino.

A Laila é a londrinense que, um ano atrás, mandou uma carta à mão suplicando para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Levandowski liberasse o julgamento do acusado de matar a mãe dela, a professora Estela Pacheco.

O crime foi em 14 de outubro de 2000.

Neste dia, não conhecia a Laila ainda. Na época, saía da UEL ouvindo um radinho de pilha ligado na CBN. Estava dentro do ônibus quando fiquei sabendo do crime.

Aluno de jornalismo curioso, desci na Avenida Higienópolis e fui até a rua Paranaguá, ao Edifício Diplomata. Ali, uma pequena multidão ainda se aglomerava na frente do prédio onde um corpo acabara de ser recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML).

Era a mãe da Laila. Alguns anos depois, essa figura da foto se tornaria uma das principais e queridas amizades que tenho aqui em Londrina.

Laila Menechino com a foto da mãe: um crime contra todos nós

O que ocorreu no apartamento no 12º andar para que o pecuarista Mauro Janene arremessasse a professora Estela da janela?

Provavelmente tentou, de forma sinistra, simular um suicídio depois de tê-la matado dentro do apartamento.

A queda mascarou a causa da morte, que deu como inconclusiva.

Não foi descartado que Estela tenha sido asfixiada mecanicamente. Na época, um dos jornais da cidade registrou a entrevista na qual o perito apontava a marca de uma agressão no rosto da mãe da Laila.

Os Janene, como sempre, contrataram em Londrina o escritório de advocacia com maior perícia em protelar casos. Defendem que apenas trabalham com o exercício justo das leis existentes.

A advogada de Londrina defensora do acusado é a mesma entrevistada no Fantástico que contou como lutou para devolver o filho a uma mãe que o havia perdido em um esquema – envolvendo um juiz de Londrina – para furar a fila de adoções de crianças na cidade. Ela atua voluntariamente no caso da mãe.

Triste coincidência.

Na época da morte de Estela, lendo as notícias dos jornais disponíveis no site da família sobre o episódio  – www.justicaparaestela.com.br – fica bastante evidente que os delegados e o juiz (que morreu) agiram de maneira bastante estranha.

Até que o réu desaparecesse para nunca mais ser visto, graças ao que as autoridades deixaram de fazer para que fosse preso. Na época, ficou cinco dias preso. Solto, desapareceu.

Com dúzias de chincanas jurídicas, nos últimos 17 anos o julgamento do acusado foi adiado por seis vezes.

A última, em dezembro de 2014.

Quando este Juri foi cancelado, tudo paralisou-se para esperar a decisão de um recurso da defesa no Supremo Tribunal Federal.

Na Côrte distante, dominada pelos mensalões e Lava-Jato da vida, parecia uma impossibilidade uma decisão rápida sobre o habeas-corpus que bloqueara o Tribunal do Juri em Londrina.

A punição para o assassinato prescreve em 2022. A família, no entanto, nunca admitiu isso.

Jornalista e advogada, a Laila decidiu escrever uma carta à mão em que suplicava ao ministro Levandowski a análise do recurso capaz de destravar o processo criminal.

Foi no dia 8 de março de 2016. Mas foi ontem.

Ninguém exatamente sabe se o ministro leu a carta e como isso impactou a Côrte na capital federal.

Mas o fato é que uma semana depois o recurso foi negado e o julgamento remarcado.

Agora, será na semana que vem, 16 de março, no Tribunal do Juri de Londrina.

Com o passar dos anos e com tanta demora, a Laila vez ou outra titubeia. Aos amigos, pergunta, incomodada, se a nossa cidade quer mesmo ver esse crime resolvido.

Tudo joga tão contra que ela parece perguntar à sociedade se a luta da família não nos incomoda demais.

Natural que depois de tanto tempo esmurrando o poder econômico, político e judiciário a família seja empurrada a se questionar o quanto tudo isso vale. “Não vai trazer minha mãe de volta”, costuma pensar a Laila, em tom de revolta.

Agora com o filho Caetano no colo, a Laila precisa da ajuda de Londrina para continuar tendo energia.

Laila, a sua luta é nossa.

Não apenas porque exigir Justiça para a morte da própria mãe é digno e tão necessário.  Sobretudo no momento em que vivemos.

Mas também por Estela ser uma mulher como tantas outras que podem, neste instante, estar no meio de um relacionamento abusivo – sem que os amigos ou quem esteja em volta se pronuncie.

O réu Mauro Janene precisa ser julgado – e condenado – pois há indícios e provas suficientes. O crime contra Estela é um crime contra a Laila e a família dela, contra mim, contra você, contra Londrina e contra todas as mulheres que merecem dignidade, respeito e valor no lugar de dor e humilhação.

Na sequência , a carta manuscrita corajosa que Laila enviou ao ministro do STF – e deveria ser assinada por todos nós, todos os dias.

Uma carta para ser lida por todos os integrantes do poder judiciário, polícias e promotores brasileiros que não se importam com o combate à impunidade. E uma carta que faz jus a todos aqueles que se importam.

A carta de uma londrinense ao ministro do STF

 * Em memória de Cleonice Fátima Rosa, assassinada por Vanda Pepiliasco; de Fernanda Estruzani, morta por Marcos Panissa, da estudante Amanda Rossi (sem mandante definido), e tantas outras mulheres e homens assassinados e jamais sepultados em razão da ineficiência da nossa Justiça.

Assine a petição Justiça para Estela

http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR80154

Visite o site com todas as informações do caso: www.justicaparaestela.com.br .

Estamos com vocês, Laila e Estela!

Somos Londrina. Somos Todos por Um

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