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O DESAFIO DE SER UM NOVO MORADOR DE LONDRINA

por Marcelo Frazão

Londrina – A história de Londrina é história de quem vem de fora.

Desde o começo da cidade é assim. Olha só o quadro das populações de Londrina até 1938, pouco tempo depois de nos fixarmos como povoado.

Só gente de fora. Nessa época, o Censo de Londrina mostrava que a cidade tinha mais estrangeiro do que brasileiro.

A fonte é o Museu Histórico de Londrina.

O que fazia um estoniano por aqui em 1938? E alguém de Liecheinstein?

Pergunto-me como havia duas pessoas de Linchenstein, dois noruegueses, um indiano e um estoniano por cá nessa época…

Faz algum tempo que não sinto essa sensação de “ser de fora”. Raramente vejo algo sobre esse tema que muita gente enfrenta na vida: mudar e se adaptar a uma nova cidade.

“Mas Marcelo, com essa onda xenófoba você vem me falar de brasileiro que muda para outra cidade dentro do país e acha isso complicado?”

Exatamente. São situações diferentes.

Mudar dentro do país onde mora já é um momento bem difícil para qualquer pessoa.

Independente da estrutura social, nível de educação ou objetivo, chegar em um lugar que não era o seu pode ser algo complexo para quem tomou a decisão – ou foi obrigado a tomá-la, premido por algum problema.

Ir para um lugar que você desconhece é duro. Imagino o frio na barriga de tomar uma decisão dessas.

E veja só: se em 1938 conseguímos ter esse panorama, hoje fica a curiosidade de saber a taxa de novos moradores de Londrina. Com tanta tecnologia, não há IBGE ou Censo que responda isso.

Não importa muito na prática porque todo mundo que chega a Londrina torna-se londrinense de forma automática.

Vir de outra cidade tentar, vir procurar emprego, vir estudar na faculdade, chegar atrás do amor que mora aqui, vir para a pós-graduação, a obra, para algo temporário e acabar ficando…
Qual é a sua história com Londrina?

Começar do zero. Fazer amigos. Entender onde é cada lugar. Redesenhar na cabeça o traçado das ruas, dos quarteirões. Saber quem são os vizinhos.

Outro lugar…

Penso que casos como o meu – vir para Londrina para estudar – são relativamente mais simples.
A minha família dava apoio, inclusive financeiro. Eu já tinha no bolso uma conexão com a cidade – no caso, a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Meus futuros amigos, vizinhos, parceiros estavam ali. Fácil.

No século passado, quando ainda estava na UEL, costumava prestar atenção a uma coisa.

Como estudante, chegávamos a Londrina, morávamos, fazíamos estágio, gastávamos, jogava meu lixo aqui, dava descarga aqui, ia no hospital aqui, fazia qualquer coisa aqui durante todo o tempo.

E quando alguém perguntava de onde eu era… respondia que era de fora!

Eu havia chegado do Espírito Santo, com uma baldeação de um ano no quente noroeste de São Paulo (Fernandópolis, mais exatamente).

Passado um tempo da faculdade, a maioria do pessoal nem se importava de tirar um título de eleitor na cidade.

Mesmo depois de anos em Londrina, via que parte dos universitários não se importava de saber o nome do próprio bairro. Não conheciam nem mesmo a rua de cima da casa onde moravam.

– Você é de onde?

– Do interior de São Paulo.

(Nãoooooooooo!)

Nem sei exatamente quando me dei conta disso e fui fazer o que precisava. Tirar o título de eleitor e votar em Londrina era a primeira coisa que me vinha à mente para falar, dali em diante, que eu era daqui de Londrina.

Tonto, imaginava que logo o título de eleitor era o que me conectaria à realidade da cidade…? Mas vamos lá: foi o meu primeiro passo para sair da “alienação” de quem se sentia de fora e queria mais da cidade.

Londrina, 1950, flagrante de Haruo Ohara, pertencente ao MIS de São Paulo

 O fato é que a história da gente em outra cidade nunca se apaga. Mas quando você começa a construir a sua história com Londrina… isso domina você.

Com o tempo, até hoje, quando alguém me pergunta de onde sou, respondo como se meu DNA fosse do mais legítimo sangue pé-vermelho: “Desde 1997 sou daqui”, tasco.

Aliás, faço uma ressalva. Quem é daqui e acaba tendo que deixar Londrina, por qualquer motivo, nunca mais consegue responder que é do lugar novo para onde se mudou.  Você pode até sair de Londrina. Mas Londrina não sai de você. Pode perguntar para algum amigo, parente ou conhecido que se foi. O cara mora no Japão ou no Acre e sempre vai responder, se questionado: “Sou de Londrina”

Pode ter morado em Nova Iorque, Praga, Santiago, São Tomé das Letras ou Bonito. E se mora em Londres, dirá que é de Londrina mais ainda. Deve ser efeito do fog/smog de lá.

Voltando aos moradores que se mudam para Londrina.

Pensando nessa aflição, um dia gostaria que o Tp1 seja um recepção para os novos moradores que chegam na cidade.

Queria entender melhor como é mudar-se para cá. Para a gente que já está aqui é tudo tão simples, fácil, conectado, com sentido…

Receber os novos moradores e mostrar a cidade seria a primeira tarefa da recepção. Um passeio pelos bairros para ajudar a escolher o lugar onde pudesse morar da melhor forma – considerando, evidente, o poder aquisitivo dele.

Quem é de Londrina pode ajudar muito nessa escolha, que geralmente não é fácil.

O novo londrinense também entenderia o roteiro inicial das coisas que importam para Londrina. Receberia um manual de como viver na cidade – com práticas mínimas necessárias para o funcionamento da urbe e sobre como se integrar na vizinhança.

Quem sabe um evento de boas vindas onde mais antigos/pioneiros se reunissem para conhecer e ajudar nessa dificuldade inicial – material ou não.

Dia desses, em uma das idas do Tp1 à agrofloresta da Terra Planta, esteve com a gente a Sabine VB. Sabine acabou de mudar para Londrina com o filho. Veio de Sorocaba, incentivada pelo irmão – que também esteve no encontro do Tp1. Antes, ela morou muitos anos Bélgica.

Perguntei à Sabine sobre o impacto da mudança para Londrina e como ela se sentia com isso:

“Sabe, busco não colocar muitas expectativas ou expectativas muito altas. Vim de coração aberto para novas oportunidades. Quero mudar de vida, de mundo, mudar o jeito que encaro a vida. Aos poucos, com paciência, curiosidade, vou encontrando as pessoas certas no caminho”.

Sabine, pode contar com o Tp1 nessa!

Eis o depoimento dela:

Se você leu esse texto e conhece algum novo morador de Londrina, peça para ele entrar na lista do Tp1!
Basta cadastrar o e-mail no nosso site e aí começam as conexões.

A gente ainda não tem um “serviço”desses, como delineado no texto,  específico para quem chega. Mas temos a certeza de que podemos ajudar bastante quem chega para construir com os demais moradores da nossa cidade.

Todo mundo é necessário.

Cadastre o seu e-mail e seja bem-vindo a Londrina!

Somos Londrina. Somos Todos por Um

4 thoughts on “O DESAFIO DE SER UM NOVO MORADOR DE LONDRINA

  1. Que felicidade ter acesso a esse tipo de conteúdo local, na vastidão da internet!
    Um abraço TP1

    • Bem-vindo ao Tp1, Lucas!
      Deixa seu e-mail no campo de inscrição na capa do site e entra na nossa lista de moradores!
      Quem sabe a gente não se encontra em um dos eventos do Tp1 AO VIVO?
      abraço e valeu!

  2. Londrina é Top mesmo. Estou aqui há 8 meses e curto demais.
    Abraço TP1.

  3. Londrina!!!! Sem Londrina eu nem saberia quem sou. Estou fora ha 15 anos. Mudei de cidade e de país. Nunca esqueço londrina, os amigos que fiz, os amores , bares e vida feliz.

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