whats (43) 9 9156.9145

DÓRIA, BELINATI, MOCKUS, O LIMÃO E A LIMONADA

por Marcelo Frazão

Londrina – Crise não é projeto de governo para uma cidade como Londrina.

Crise, inclusive, não deveria ser modelo de governo de nenhuma cidade brasileira.

País afora, Londrina dentro, precisamos de prefeitos com conteúdos que mobilizem respostas e encoragem os moradores.

Dois meses atrás estive em São Paulo em um evento sobre empreendedorismo digital.

Falava o economista Ricardo Amorim – você já deve ter topado com ele nas tevês e jornais por aí.

Após dezenas de dados e prognósticos, Amorim mandou uma máxima difícil de desconsiderar.

“Nunca desperdice uma boa crise!”

Guarde essa frase. Volto nessa questão.

Uma leve pesquisada sobre como os prefeitos das cidades brasileiras enfrentam a queda geral de arrecadação e a falência de tudo e de todos nos conduz a apenas 4 ações elementares.

1 – Ir ao governador pedir recursos.

2 – Ir ao presidente e aos ministérios pedir recursos.

3 – Cortar gastos. E cortar mais gastos (cargos, água, luz, fone, etc)

4 – Tentar aumentar a arrecadação cobrando mais de todos (IPTU e ISS) e indo para cima de quem sonega ou não paga.

Estamos em Londrina.

O prefeito Marcelo Belinati anuncia um déficit de R$ 120 milhões e diz que insiste com o governo federal – na mesma fila que os quase 5 mil municípios – e com o governador, junto com as demais 398 cidades do Paraná.

Marcelo Belinati: ele precisa se tornar amigo do Dória, ao menos no facebook

Criou um plano de corte de gastos para cortar o que sobrou do que não foi cortado antes por Kireeff – que conteve até a capina da cidade, com 70% de redução, só para ficar em um exemplo.

Vamos lá.

Você morador inteligente de Londrina concorda comigo que essas medidas devem ser colocadas em prática não só na crise e que isso é apenas o elementar?

É apagar a última luz acesa onde já estava escuro. Trazer água de casa e usar os dois lados do papel na xerox. O que resta para quem trabalha na Prefeitura de Londrina e usa os serviços da cidade como morador.

Sabe aquilo que já não tinha?

Então: vai ter menos.

Agora, permaneça comigo no raciocínio.

Será que algum prefeito imagina que a população fica satisfeita e radiante toda vez que se anunciam cortes de gastos?

Volte para a cena real: você mora em uma cidade suja, saúde caótica, educação bem no mais ou menos com viés de baixa, segurança inexistente e trânsito letal. Um cenário cinza.

Liga o rádio, vê tevê e internet e tudo o que escuta ds líderes e do governo da sua cidade é: vai ficar pior e aquilo que já não funcionava vai ter menos dinheiro.

Desde quando moro em Londrina, os governos que chegam a cada 4 anos anunciam o cenário de caos. E, se tem algum juízo, na sequência já partem para ajustar o que acredita que pode ser ajustado.

Automaticamente, serviços e atendimentos são cortados.

E, como moradores, seguimos tropeçando nos tropeços de Londrina.

Vejo acontecer assim há 20 anos. Quem mora aqui deve certamente lembrar-se de que sempre tem sido nessa toada.

Pois ligo a tevê e vejo a 17ª entrevista do prefeito Marcelo Belinati sobre o déficit de R$ 120 milhões. Pela 78ª vez, repete que está muito difícil.

Nem vou culpá-lo por, irresponsavelmente, nas eleições, ter batido na tecla que “dinheiro tem” e o que faltava “era gestão”. Sobretudo na saúde. Agora, se vira nos 30.

E testemunho, pela 43ª vez, Belinati solicitando de nós, moradores, “um voto de confiança”.

Finaliza pontuando que cada londrinense tire “uma foto de hoje de qualquer coisa e repita a mesma foto no fim do governo. Para comparar como ficou”.

Pode arrepender-se por ter repetido isso 1245 vezes, chamando para si e para uma Prefeitura desanimada toda a responsabilidade – sem envolver um dedo da cidade e de nós, moradores, no desafio de transformá-la.

O déficit em si não é a questão. Ele é sempre mal explicado, existe e deve ser tratado. É o mínimo.

Inimaginável aceitar, entretanto,  que como cidade nos basta executar um plano de cortes para ajustar as contas e esperar a economia do país melhorar até que o caos volte ao nível menos caótico de antes da crise.

Bom, e o que fazer?

Você olha o mato crescendo na praça, na escola, e lixo para todo lado na rua.

Faltam árvores. O trânsito de Londrina fere e mata. As escolas estão superlotadas e a demanda por vagas de ensino infantil grita. Na cidade toda, calçadas abandonadas, falta de respeito coletivo, falta de ajuda mútua.

Um motorista atropela uma idosa que deixava a igreja no Jardim Ideal (zona leste) e foge dando cavalo-de-pau para se livrar do corpo – conta a testemunha no rádio.

E no imaginário o recado de que vai ficar pior porque não há dinheiro para fiscalizar, melhorar, monitorar, executar.

Achamos mesmo que 100% dos problemas de uma cidade só se muda com dinheiro?

Crise não é projeto de governo. E se não fizermos algo rapidamente além da lição mínima, estaremos abatidos como cidade. Com todo poder de Londrina, estaremos no chão. Não pode acontecer.

MUDANÇA de MINDSET JÁ!

Se faltam ideias e mentalidade para fazer do limão, limonada, precisamos – como moradores, prefeito e vereadores que nos governam – APRENDER conteúdo NOVO.

Longe de ser fácil.

É um processo pedagógico. Coletivo.

Do ponto de vista do Tp1, não esperamos. Aliás, já começamos e vamos energizar junto quem quer cidades melhores.

Precisamos construir isso e não virá de um prefeito de ocasião, ou de vereadores que passam. Todos têm seu valor e contexto – mas ainda precisam demonstrá-los.

Passado um mês de novo governo, não consegui ainda vislumbrar como alavancar uma cidade inteira como a nossa.

Assisto novamente, no Youtube, Benjamin Barber, cientista político americano, palestrando no TEDTALKS.

Dialoga sobre uma teoria preciosa e que talvez faça sentido para você que mora em Londrina.

Fez para mim.

Barber diz que os prefeitos do mundo têm mais poder que os presidentes e primeiro-ministros destes mesmos países.

Porque vivemos nas cidades – e não nos estados ou países, categorias consideradas como abstratas para moradores comuns do mundo.

Barber lembra que enquanto os EUA barravam alguma convenção climática, prefeitos de 200 cidades foram para Copenhagen co-criar padrões e metas de compromisso anti-poluição e de controle de emissão.

Se deram conta que problemas como emissão de carbono têm mais a ver com as cidades do que com os países. Quem quer, faz com o que tem.

O mesmo vale para o lixo nas ruas, a letalidade do trânsito, a saúde, segurança e educação ruins.

Moramos em cidades com prefeitos que agem de forma tão desconectada de nós quanto um presidente da república que mora em Brasília.

Lembra-se do alerta de Ricardo Amorim para os empreendedores?

“Nunca desperdice uma boa crise!”

Na década de 90, o prefeito de Bogotá, Antanas Mockus, sonhava em uma identidade para a cidade que fosse além da lembrança dos cartéis e, entre eles, Pablo Escobar.

Mockus chamou os moradores à consciência de como estavam concebendo a própria cidade.

Declarou guerra aos infratores de trânsito e reordenou espaços públicos dominados.

Abriu para pedestres ruas onde antes só havia sujeira, veículos e ocupação irregular.

Dissolveu a guarda de trânsito corrupta com 1500 oficiais e contratou 400 mímicos.

Exatamente: na capital da Colômbia, o símbolo da reordenação no trânsito e do cuidado com a cidade eram mímicos.

Os “mimos” incitavam a participação dos motoristas para um trânsito menos violento, mais gentil, mais cidadão.

Chamavam todos a se fiscalizarem e se cooperarem.

Mockus vestiu-se de cenoura na campanha contra os maus hábitos em Bogotá, quando decidiu fechar bares às 22h.

Junto com uma educação e pedagogia cidadãs, iniciou um sistema de ônibus, ciclovias e parques se tornarem temas no imaginário dos moradores, por cidades melhores.

Mockus: nova maneira de olhar a cidade e os moradores de Bogotá

 

Pense na economia da Colômbia no fim da década de 90.

Pense em como era ser morador de uma cidade assim na época.

Suponha como Pablo Escobar e a guerra entre os cartéis deprimia e oprimia – mesmo após ele ser morto – o imaginário de cidades como Cali, Medelín, Cartagena e Bogotá.

Hoje, são cidades que se inspiraram na transformação psicológica vivida pela capital e se tornaram conhecidas pelo livro (Medelín), pelas comidas, poesia, pelas pessoas.

Longe de se tornarem cidades perfeitas, a mudança veio da atitude de prefeitos que captaram como movimentar problemas complexos em cenários complexos – e em nível local. Sem tantos recursos assim.

Simples, mas nada fácil.

O que os moradores das cidades querem, aqui em Londrina e em Bogotá, em Nova Iorque e Barcelona, são líderes locais inventivos, energizadores, inspiradores de confiança e insistentes.

Precisamos retomar o tema da importância dos MORADORES e da nossa relação com os PREFEITOS para que as cidades façam a “virada” que todos pretendem.

Quando acabam os recursos para obras e ações com dinheiro público, o que resta?

Lembrando Ricardo Amorim e a crise como oportunidade…

1 – Trabalhar as pessoas. A maior obra de uma cidade está nos moradores.

2 – Trabalhar com as pessoas. Parte dos serviços públicos para os quais falta dinheiro pode ser realizada com os moradores e, claro, com as empresas.

 

Espero que você não torça o nariz com o que vou falar.

Esqueça o caso dos “pixos” e dos grafites apagados por um instante. Só um pouco. Também desconsidere aquela idiotice de aumentar a velocidade nas marginais.

Dória: ações a custo zero para os moradores (Imagem: facebook)

Em São Paulo, o prefeito João Dória fez acordos com uma rede de hotéis (Accor) para organizar albergues e com empresas de limpeza e higiene (P&G) para instalar banheiros públicos novos.

Acionou os taxistas para dedurar pichadores e chamou empresários para doar reformas e revitalizações  – sem contrapartida nenhuma, sem o poder público ofertar NADA.

Chamou a cidade para adotar praças e canteiros. E ainda fez acordo com hospitais privados ociosos na madrugada para realização de exames pelo SUS.

Tudo a custo zero – ou apenas jogando com o dinheiro rarefeito já existente existente.

Isso em São Paulo,certo?

Creio que o prefeito de Londrina deveria se inspirar e fazer parte de um grupo de prefeitos inovadores. Deveria buscar mais fontes de energia. Poderia se aproximar do João Dória, nem que no facebook. Ou no twitter, que seja.

Me convença de uma coisa: se em São Paulo dá, como não em Londrina?

Como ainda não saímos na frente das cidades médias brasileiras com esse novo olhar ?

É por isso que o Todos por Um, o Juntus e o Movimento Start Up Londrina (MSL), junto com a Prefeitura de Londrina, realizam o 1º encontro da série entre o prefeito Marcelo Belinati e moradores empreendedores da nossa cidade.

Nesta quinta-feira, 9 de fevereiro, está marcado o 1º Londrina Mais – energia, movimento e oportunidade”. O mote do encontro: “Limão, limonada – como Londrina faz da crise oportunidade”.

Para surgir ideias, nos conhecer, energizar. É para ouvir e falar com o prefeito.

O compromisso de Belinati é participar de um encontro mensal com os empreendedores de Londrina. Este é o primeiro da série.

O link de inscrição está aqui : http://bit.ly/2jt8v7S

Uma cidade melhor precisa ser erguida.

No meio dessa crise toda, a melhor estratégia é uma cidade inteira trabalhando por ela mesma, correto?

Somos 500 mil por Londrina. Mas as pessoas precisam ser chamadas.

“Qualquer um” que se pergunte na cidade pode doar uma hora de trabalho, ideias, dinheiro, ou algum equipamento/objeto que disponha em casa.

Agora, imagine um prefeito entendendo isso tudo…

E aí Marcelo Belinati?

Vamos?

Da nossa parte, já começamos!

Somos Londrina. Somos Todos por Um.

2 thoughts on “DÓRIA, BELINATI, MOCKUS, O LIMÃO E A LIMONADA

  1. Simplesmente, fantástico.

  2. João Batista Moreira Souza

    Vc é o cara Frazão, belíssimo e bem vindo texto..

Leave a Reply